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V de… Vinagre?


“… lá vem o Porco falar dessas chatices da vida real!”

A não ser que você seja uma daquelas pessoas que se acham muito adultas, que não vê Tv, ouve rádio ou acessa a internet, então você sabe o que está acontecendo pelo Brasil afora: os protestos populares por menos Copa e mais justiça social. Sim, eu sei, o estopim foi o aumento das passagens de ônibus na capital paulista, mas os protestos se avolumaram, fagocitaram outros movimentos que já estavam rolando pelo país (como os anúncios de greve dos policiais civis e dos professores em Minas, por exemplo) e cresceu, amadureceu e mudou de cara.

Tomou a cara de um povo que cansou. Cansou de trabalhar cinco meses por ano só para pagar os impostos, e não ter acesso a segurança, saúde, educação básica de qualidade, mobilidade urbana. Cansou de se ralar de sol a sol para ter o que comer (tomate?) enquanto bilhões são gastos com eventos esportivos que vão gerar lucro pra todo mundo: pra CBF, pra FIFA, pros mega-empresários da construção civil, para as redes de Tv, pro Neymar, mas só não vai gerar nada pra quem de fato suou o rosto fazendo acontecer.

Um movimento tão grande e, ao mesmo tempo tão catártico, que alguns chegaram a chamar de “Primavera Brasileira”, mas que talvez fique conhecido mesmo como “V de Vinagre” (graças à detenção estúpida de um repórter da Carta Capital por portar um frasco de… vinagre durante uma das manifestações).

Alguns dos fatos mais marcantes nessa onda de manifestações foram, com certeza, a repreensão truculenta e violenta cometida pelas polícias militares de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Entretanto, se a classe artística (midiática) e intelectual do país se manteve calada sobre os eventos, sobre esse verdadeiro levante popular, o mesmo não se pode dizer acerca dos quadrinistas. E eu tô falando dos quadrinistas graúdos mesmo! Começou com o velho Rafael “Vampiro Americano” Albuquerque que, citando um trecho de Música Urbana II, da Legião (“Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana”) soltou essa arte arrebatadora:

Fosse pouco, depois ele soltou uma pequena HQ de duas páginas sobre o tema:


Logo depois foi a vez de um dos maiores coloristas brasileiros em atuação no mercado americano, Rod Reis (LJ, Aquaman), soltar sua contribuição, sob o título de “Por um Brasil melhor” (For a better Brazil), Rod também deu seu recado:

Mas não parou por aí: os Gêmulos Maravilha, Fábio Moon e Gabriel Bá, também deram seu recado, e em forma de HQ (como são HQ’s maiores que a do Albuquerque, vai ficar grande colocar aqui. Então você clica neste link e vê inteiras):


Até o Rafael Grampá, o gênio dO HQ, fez sua parte convocando uma mudança de paradigmas com esse sketch foda:

Pode ser que você pense (e ganhará olhares de reprovação deste que vos escreve), sobre o que é que você tem a ver com isso. Ou o que o MdM tem a ver com isso. Tudo.

Mas, a título de justificação, eu poderia citar a cena final do filme V de Vingança, com toda a população saindo à rua com máscaras de Guy Fawkes. Ou eu poderia dizer que todo mundo ganha na luta por um país melhor. Poderia citar a iniciativa de uns advogados em Minas, que montaram um “plantão de habeas corpus para manifestantes” e dizer como isso parece com a Frequência Global, onde operativos desconhecidos uns dos outros entram em ação, cada um com sua especialidade, em prol do bem comum.

Eu podia dizer isso tudo, mas no fim só o que me surge é o fato de que foi sobre esse tipo de atitude que a gente andou lendo a vida inteira. Porque em primeira instância, antes de serem alienígenas, órfãos obstinados, mutantes, experimentos genéticos ou cósmicos, todos os nossos (super) heróis são sujeitos que, lançando mão de suas habilidades particulares, se dedicam pessoalmente ao bem comum. A fazer a coisa certa. pode rever aí, do Superman ao novo Homem Aranha Ultimate, todos eles acabam movidos pela noção das tais responsabilidades geradas pelos poderes. A certeza de que, podendo fazer algo, ninguém pode se contentar em ficar encolhido, escondido no meio.

Posicionar-se é preciso. Bora pra rua? Dizem por aí que a rua é a maior arquibancada do Brasil…

Sobre Poderoso Porco

O mar não tem cabelos. Eu também não.

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