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[280 ou foda-se] Lúcifer, Finório, Flintstones, Acelera SP, Escalpo (não aquele), Criminosos do Sexo…

Descobri que no mundo da interweb full time, as pessoas não curtem mais ler como antigamente. O Medium registra seus textos (e comentários também, veja você) por tempo necessário para lê-los. Ok, Danilo Beyruth, lá nos tempos dos fanzines do Necronauta já fazia essa medição, mas a coisa mudou. Ninguém mais tá a fim de longos textos, é o tempo da twitterização da realidade: 280 caracteres ou foda-se.

Assim, eu que sou bastante prolixo, tô me propondo um desafio: resenhar minhas leituras em textos curtos (280 caracteres?). Logo, essa lógica de post é uma tentativa (se geral curtir) de escrever micro-resenhas que não resenham porra nenhuma na verdade. Mas é isso ou seguir aguentando a chatice de avaliarem meus reviews pelo número de page-downs que eles exigem. Então tá aí. É o que tem pra hoje.

Ou foda-se.

Lúcifer – Céu Congelado (Holly Black nos roteiros, Lee Garbett nos desenhos. Vertigo/Panini Comics, 148 páginas, dez/2017, R$23,90)

Ruim, viu? Mike Carey, contra todas as expectativas, conseguiu pegar uma ponta deixada por Neil Gaiman em Sandman e entregar algo legal à partir do Anjo Decaído cansado do jogo do Paraíso. Holly Black remexe o lixo, mistura umas pitadas de Dogma do Kevin Smith e entrega obviedades.

Nota: 3/10

 

Finório  (Marco Oliveira. Zarabatana Books, 240 páginas, dez/2016, R$36,00 – acho que paguei R$29,00)

Marco Oliveira é conhecido pelas tiras de Overdose Homeopática, mas tinha mostrado que sua arte sustenta um drama em “Aos cuidados de Rafaela”. Aqui, narra a história de um fodido na vida, andando sempre no fio da navalha entre o certo e o errado. Como todo mundo, se pensar bem.

Nota: 9/10

 

Os Flintstones volume I (Mark Russel nos roteiros, Steve Pugh na arte gráfica. Panini Books, 168 páginas, dez/2017, R$24,90)

Esse gibi dos Flintstones da DC tem umas boas sacadas, mas o roteiro carece muito de alguma sutileza. As críticas e o escárnio à questões contemporâneas são tão explícitas que a história em si fica em segundo plano, parece o presidente do DA se achando o gênio da crítica social.

Nota: 4/10

 

Acelera SP (Cadu Simões nos roteiros, Juliano Kaapora nos desenhos. Petisco/Catarse, 32 páginas, fev/2018, R$10,00)

Acelera SP é praticamente um preview de um gibi ainda por vir. Cadu e Kaapora apresentam um futuro(?) distópico no qual o dinheiro venceu de vez. Vale quem tem, o estado de bem estar social (ou de coisa que o valha) se foi, as pessoas são só ativos financeiros. É muito curto e quero mais.

Nota: 9/10

 

Homem-Aranha & Os Campeões #1 (Mark Waid nos roteiros, Humberto Ramos nos desenhos. Panini Comics, 60 páginas, fev/2018, R$8,50)

Surge um novo super-grupo adolescente! Onde já vimos isso? Onde NÃO vimos isso? Homem-Aranha & Os Campeões não tem nada de novo. Nós já lemos os Titãs, a Justiça Jovem, os Novos Guerreiros, os Jovens Vingadores, os Fugitivos… Então porque essas histórias continuam divertidas?

Nota: 8/10

 

Escalpo (romance de Ronaldo Bressane, Editora Reformatório, 255 páginas, jan/2017, R$25,76)

Um quadrinista aclamado pego num caso de plágio (onde já vi isso antes?), sem teto depois de um divórcio, tem a mão-ganha-pão quebrada num protesto, acaba virando um noiresco detetive particular. Tem tudo pra ser um romance duca, né? Não, não é. Abandonei a 100 páginas do fim.

Nota: 3/10

 

Alias (Brian Michael Bendis nos roteiros, Michael Gaydos nos desenhos, PaniniBooks/Marvel MAX, 232 páginas, jan/2018, R$50,00)

Alias era uma memória agradável de um gibi foda. A série de Tv, o distanciamento, fizeram ficar melhor do que era de verdade. Jessica Jones é menos durona do que eu achava que fosse, mas continua sendo uma leitura boa. Não tanto quanto me lembrava, mas ainda muito boa.

Nota: 8/10

 

Visão – Pouco pior que um humano (Tom King no roteiro e desenhos de Gabriel Hernandez Walta. Panini Comics, 140 páginas, fev/2018, R$40,00)

Não é o Tom King de Xerife da Babilônia… O gibi é bom, mas distante, bem distante, do tanto que disseram que era. Os personagens agem de maneira incoerente para os super-computadores que são, a trama os atropela. Vantagem: me fez ler O Mercador de Veneza, que me divertiu bem mais.

Nota: 7/10

 

Mulher-Maravilha – Guerra (roteiros de Brian Azzarello, desenhos de Cliff Chiang, Tony Akins e Goran Sudzuka. Panini Books, 144 páginas, mar/2018, R$39,00)

Rapaz, a Panini ganhou o troféu Picareta do Ano com esse encadernado, hein? VINTE E OITO páginas de extras? E aqueles roteiros com DOIS PARÁGRAFOS POR PÁGINA claramente para encher linguiça? Porra, me senti ROUBADO com esse gibi! ROUBADO! Paguei por 148 páginas e levei 120!

Nota: 8/10 (é 5/10 se considerar a edição)

 

Armas no Cyrano’s e outras histórias (contos de Raymond Chandler. L&PM Pocket vol. 233, 188 páginas, jan/2001, R$12,90)

Raymond Chandler é Raymond Chandler. Sua narrativa não é um jogo de gato e rato com o leitor porque o leitor não tem nenhuma chance… Mas o ouro desta edição é mesmo o ensaio “A simples arte de matar”, no qual Chandler reflete sem frescuras sobre o romance policial e sua (in)realidade.

Nota: 10/10

 

Criminosos do Sexo Volume II – Dois mundos, uma polícia (roteiros de Matt Fraction, desenhos de Chip Zdarsky. Editora Devir/Image, 128 páginas, jul/2016, R$64,90)

O primeiro volume de Criminosos do Sexo foi bem divertido, enquanto este segundo foi mais irritante do que tudo. Já não sei se elas estavam lá no vol. I, mas as piadinhas nominais, os trocadilhos (infantis) com sexo dão no saco. Neste volume nada acotece-feijoada. Não vou atrás do III.

Nota: 4/10

 

Inspector Akane Tsunemori #1 (com arte de Hikaru Miyoshi. Panini Comics/Planet Mangá, 192 páginas, jan/2018, R$14,90)

Mangázinho com uma premissa bem legal, umas sacadas muito interessantes. Temos uma heroína desconectada a este mundo, um tanto inconformada com sua naturalidade desumana.O grande problema do gibi é certamente a arte gráfica uma arte burocrática, genérica, sem nenhum brilho próprio.

Nota: 8/10

 

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