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A Gente Vimos – Final Space (1ª Temporada)

Como bem disseram no tuíter dia desses, a nova moda dos desenhos animados pra adulto é te deixar na bad depois de ver. Se você não se sentir deprimido ou culpado depois de terminar um episódio (até mesmo por rir das piadas), algo está errado – ou com você ou com o desenho.

E seguindo a tradição do Netflix de só fazer desenhos-pra-adultos-que-te-deixam-bolado-de-alguma-maneira, vi o trailer de Final Space e me empolguei. E aí, será que presta?

Final Space conta a história de Gary Goodspeed (Olan Rogers,também criador da série), um condenado completando seu quinto ano de pena a bordo da prisão Galaxy One que encontra uma criatura espacial, Mooncake (também Rogers), e precisa protegê-la tanto do terrível Lord Commander (um surpreendente David Tennant) que tentará capturá-la a todo custo – com a ajuda do mercenário Avocato (Coty Galloway) e da Capitã Quinn, da Infinity Guard. Parece genérico, talvez seja.

Assim que terminei de ver o trailer de Final Space, lembrei logo de cara de Futurama BoJack Horseman, então fui pro desenho esperando morrer ou de rir ou de agonia, qual foi minha surpresa ao ver que não fiz nenhum dos dois.

Final Space é uma obra muito antenada nas tendências correntes do gênero: tem um traço e uma animação fluídos, sem cair no caricato demais e mantendo alguma verossimilhança, tanto no design dos personagens quanto nos veículos (como acontece no já mencionado Futurama, por exemplo) e um trabalho de dublagem exemplar, incluindo um já obrigatório personagem-principal-de-voz-grossa-e-desajeitado (como no já citado BoJack Horseman bem como em ArcherBob’s Burgers), então traz um certo sentimento de familiaridade num primeiro contato.

A ambientação e a trama também não ficam devendo para outras obras do gênero space opera. Tudo está lá: carros voadores, viagem-mais-rápida-que-a-luz, robôs com personalidade e traços psicóticos (como o excelente KVN, feito pelo também excelente Fred Armisen), um MacGuffin ligado ao futuro do universo… pouca novidade aqui.

Mas diante de tantos lugares-comuns, há espaço para algo de novo? (Ou “porque diabos eu perderia tempo com isso?”)

Em primeiro lugar, o desenvolvimento dos personagens vai além do satisfatório. Não te entrega uma espiral negativa braba como em BoJack, mas entrega o suficiente para que haja algum nível de envolvimento com os protagonistas – ainda que isso também configure um dos chavões do gênero.

Você se pega interessado pela sanidade mental do Gary, ou irritado com a emocionalmente distante Quinn, ou ainda aflito pela busca pelo filho(te?) do Avocato e pelo destino final do Mooncake. Até porque os personagens morrem em Final Space – inclusive o prólogo de cada episódio anuncia uma tragédia que só vai se resolver, literalmente, nos últimos segundos do último episódio.

A ambientação também é suficientemente original para capturar o interesse. Ainda que muito dela tenha pontos em comum com outras obras do mesmo filão, como por exemplo Rick and Morty (que também tem seu quinhão de viagens espaciais), Final Space traz ideias e conceitos que lhe são próprios e despertam o interesse, como por exemplo o próprio conceito de final space e os Titãs, a grande ameaça daquele universo.

Ah sim, isso dos Titãs foi spoiler. Bem-vindo ao MdM.

Por fim, me deixou com vontade de ver como a história continua – segundo o criador, já existe argumento para mais seis temporadas (e um final caso haja cancelamento antes disso) e a segunda já está confirmada para 2019. Muito embora a primeira temporada seja quase auto-contida.

Eu particularmente gostei bastante, mesmo não tendo minhas expectativas atendidas completamente. Final Space tem o suficiente de outra referência importante para o gênero que, por ser um tantinho mais antiga, volta e meia passa batido pelo público – Star Trek.

Muito de Jornada nas Estrelas está ali também – as culturas alienígenas com seus costumes próprios, a pseudo-tecnologia que embora impossível é quase factível para o ouvido destreinado, a ideia de “ir onde ninguém jamais esteve” representada pelo próprio título da série, a ideia de que a Infinity Guard represente quase que uma versão da Federação – inclusive com seus podres intrínsecos, etc.

Isso faz com que, pelo menos para mim, Final Space torne-se também uma boa obra de ficção-científica e nesse quesito, bem melhor que seus congêneres (como os já citados FuturamaRick and Morty) que, embora se apropriem de termos científicos, muitas vezes se distanciam o suficiente deles para se incluir (praticamente) em outro gênero – o da fantasia.

No final Final Space não é um desenho que empolga, mas se não atende expectativas também não decepciona e, no final, deixa o saldo positivo de nos deixar interessados em saber o que vem à seguir. O que já é muito mais do que muito desenho-triste por aí.

Final Space

10 episódios

TBS/Netflix

Nota: 8,87

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