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A gente lemos: Diablo III, de Aaron Willians e Joseph Lacroix

Eu ainda me lembro como se fosse agora, quando eu fui na casa de um chegado meu ver o jogo que ele tinha ganhado numa revista. O jogo (na verdade era um demo – já começou satanista) nada mais era do que o primeiro Diablo. “É meio RPG, esse trem que você gosta”, ele disse. Tudo com pinta de fantasia medieval é RPG, eu pensei, enquanto o Pentium carregava, leeeento, a abertura. Achei foda. Comecei a jogar e achei mais foda ainda – o bonequinho do personagem mudava conforme você mudava as roupas e armas dele! Tinha sangue! Tinha um detalhamento animal! Tinha inimigos de tirar o sono! (porra Butcher filho da puta!).

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Joguei o demo até acabar, peguei o jogo completo em Camelot, zerei. Veio a expansão, a continuação e eu sempre lá, jogando, cameloteando, zerando, sendo feliz matando demônios mais rápido do que John Constantine no filme do Keanu Reeves. Veio o III e as primeiras fotos não me empolgaram muito, sei lá, eu já era um pós-gamer, nada me empolga nesse mercado mais. Mas com HQ é diferente! Quando vi na banca do Seu Joca essa adaptação, com essa capa a la Mike Mignola, não pude me conter e gastei parte da cota mensal de HQ’s com ela. Sim. Com esse lixo.

Diablo III, a HQ, conta a história de Jacob, um molecote que naquele momento, sabe-se lá porque, está sendo perseguido por uns camaradas com muita cara de maus. Sabe-se lá porque, ele vai parar num desertão, acha uma caverna onde tem uma bruxa esperando por ele com uma espada Justiceira/Excalibur. De posse dela, Jacob, a Arcanista e os guardiões do universo hão de vencer o mal, pois seu destino é combater por um mundo ideal!

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Cara, que HQ merda! Desenho ruim, história ruim (e aquele laboratório de feiticeiro que eles acham de repente cheio de explicações e de travas mágicas mas que todo mundo consegue entrar? E aquela bárbara que aparece do nada no último volume pra explicar tudo e ajudar os caras?), ambientação fraca… Aparentemente, de Diablo mesmo a parada só tem umas citações (“Santuário”, “Tyrael”, etc) e nada mais. Um herói predestinado com uma arma mágica é tudo sobre o que, até onde acompanhei, Diablo não era. Tudo é muito solto, tudo é muito preguiçoso e mal pensado. Tudo é uma merda.

Aí eu fico pensando: nós não somos o mercado produtor dessa porqueira. Somos só consumidores, e geralmente entre a nossa publicação e a publicação original vai um lapso de tempo que serve, inclusive, para se avaliar com calma a qualidade de uma obra. Daí eu pergunto: vale o esforço de adaptar para o português e publicar algo tão ruim, tão desprovido de qualidade? Será que só os fãs incautos da franquia gamemanística são o suficiente para bancar um produto tão pobre quanto essa HQ?

Ah, bom, chega. Não vale a tinta

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Diablo III, de Aaron Willians (roteiro) e Joseph Lacroix (arte), da DC Comics (Diablo III: Sword of Justice). Publicado pela Panini Comics. 124 páginas, colorido, R$17,90.

Nota: -5

Sobre Poderoso Porco

O mar não tem cabelos. Eu também não.

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