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[280 ou foda-se] A cidade da neblina, Jessica Jones, Mulher-Maravilha, Macumba Macabra…

Descobri que no mundo da interweb full time, as pessoas não curtem mais ler como antigamente. O Medium registra seus textos (e comentários também, veja você) por tempo necessário para lê-los. Ok, Danilo Beyruth, lá nos tempos dos fanzines do Necronauta já fazia essa medição, mas a coisa mudou. Ninguém mais tá a fim de longos textos, é o tempo da twitterização da realidade: 280 caracteres ou foda-se.

Assim, eu que sou bastante prolixo, tô me propondo um desafio: resenhar minhas leituras em textos curtos (280 caracteres?). Logo, essa lógica de post é uma tentativa (se geral curtir) de escrever micro-resenhas que não resenham porra nenhuma na verdade. Mas é isso ou seguir aguentando a chatice de avaliarem meus reviews pelo número de page-downs que eles exigem. Então tá aí. É o que tem pra hoje.

Ou foda-se.

(sim, eu copiei exatamente a mesma introdução do outro texto)

A cidade da neblina (Vertigo Crime, de Andersen Gabrych – roteiros; Brad Rader – desenhos. New Pop, 176 páginas, jul/2012, R$24,90).

Um noir nos EUA dos anos 1950. Anticomunismo, homofobia, prostituição e exageros religiosos… E no meio disso? Um detetive durão capaz de aguentar muita porrada da vida. E uma reviravolta totalmente inesperada! HQ legal, com uma derrapadinha aqui ou ali (principalmente na arte).

Nota: 6/10

Quadrinhos A2 #5 (de Paulo Crumbim e Cris Eiko. Independente, 140 páginas, dez/2016, R$20,00)

Eu adoro o Paulo e a Cris. Amo absurdamente Quadrinhos A2, que parece que eles fazem sem grande esforço, sem pensar nem elaborar muito (provavelmente só parece). São histórias deliciosas sobre qualquer coisa, inclusive meleca de nariz! Como todos os volumes, é divertido pra caralho.

Nota: 8/10

A última dança – Um romance do 87º DP (romance de Ed McBain, capa de Lélis. Ed. Record, 287 páginas, 2003, entre R$ 17,99 e R$ 32,99 – mas eu paguei oitão no sebo)

Cinquenta romances! Ed McBain (nunca tinha ouvido falar dele) escreveu 50 romances ambientados na 87ªDP. A última dança é o 50º, e é bom pra caralho. Um velho morre amanhece morto, é pode ter sido um suicídio mocado ou um homicídio ainda mais mocado. Mas isso é só o começo.

Nota: 7/10

 

Mulher-Maravilha #13 (roteiros de Greg Rucka, desenhos de Bilquis Evely, Liam Sharp e Nicola Scott. Panini,  68 páginas, abr/2018, R$7,50)

Na #13, Greg Rucka meio que conclui seu arco de retomada da Princesa Amazona. Fecha legal, tá um gibi bem legal de acompanhar. Só a história do 1º encontro entre Diana, Super e Bátema que é meio abrupta e caga legal para a cronologia N52 (que teoricamente ainda tava valendo, né?).

Nota: 6/10

Mulher-Maravilha #14 (roteiros de Shea Fontana, Vita Ayala e Michael Moreci; desenhos de Mirka Andolfo, Claire Roe e Stephanie Hans. Panini,  68 páginas, mai/2018, R$7,50)

Meu deus do céu, que desgraça! Esta edição, um junta-junta de entressafra (duas histórias são do gibi anual de 2017 da MM), é tão ruim que dá vontade de rasgar a revista. Pior ainda é a HQ de Shea Fontana, que saiu na revista mensal. Ruim, desenho ruim, cronologia cagada… PQP!

Nota: 2/10 (o desenho da Stephanie Hans na última história é legal. Leva os pontos)

 

Jessica Jones – Afastada (de Brian M. Bendis nos roteiros e Michael Gaydos nos desenhos. Panini, 140 páginas, mai/2018, R$21,90)

Bendis consegue nos prender outra vez com sua criação maior! “Afastada” traz o começo de uma nova fase da vida da JJ: separada de Luke Cage, na bancarrota, toda ferrada. Uma nova série pra acompanhar! Agora, essas capas toscas em q os artistas desenharam a JJ da série de Tv?

Nota: 7/10

 

MdM – All-new, all diferent, all-rebirth & all-caralho-a-quatro (váááááários autores. MdM Editora, duzentas e tantas páginas, maio/2018, R$5,00)

Achou que eu ia ter pudores de falar do gibi do MdM? Achou errado, otário! Como já é tradicional, as HQs do MdM, cuidadosamente planejadas para darem prejuízo, são muito divertidas! E não é chapa-branquisse não! Uma caralhada de gente fazendo HQ legal. Foda é só o corretor do Word…

Nota: 8/10

Alho-poró (Bianca Pinheiro roteiro e desenhos, Editora La Gougoutte, 56 páginas, dez/2017, R$30,00)

O que gosto do trabalho da Bianca Pinheiro é que nunca sei o que esperar dele. Ela é pequenininha e fala baixo, e faz coisas fofas como Mônica: Força e Bear (ainda que este tenha uns lances sinistros), mas as HQs dela costumam dar umas porradas nos estereótipos. Confesso que não sei o que achei de Alho-poró. Por isso estourei com força os 280 caracteres.

Nota: ?/10

Macumba Macabra (roteiro de Ennio Missaglia, desenhos de Magnus. LP&M, 96 páginas, inverno de 1990, paguei R$25,00 no sebo)

Claro que eu fui atraído pelo título preconceituoso pra caralho pra uma história de terror. Claro que a arte instigou, o gibi feito por dois gringos passado no Brasil provocou. Claro que achei ainda mais preconceituoso e ignorante do que imaginava. Claro que não divertiu…

Nota: 4/10

Todos os Santos (de Marcello Quintanilha. Editora Veneta, 112 páginas, maio/2018, R$84,90)

Adoro o trabalho do Quintanilha. Tá no top 5 autores brasileiros, e é bem legal a Veneta lançar um álbum retomando o início de sua carreira e alguns trabalhos dispersos publicados aqui e ali.Mas Todos os Santos tem muita cara de colcha de retalhos, com seus pedaços inconclusos…

Nota: 5/10

Billie Holiday (Carlos Sampayo nos roteiros, José Muñoz nos desenhos. Editora Mino, 80 páginas, fev/2017, R$69,90)

A HQ tinha tudo pra ser sensacional (a julgar a matéria-prima) mas não vai. O roteiro do Carlos Sampayo é o cúmulo da picaretagem – um jornalista catando um episódio ou outro da vida da cantora para uma matéria – e tira mesmo um bocado do brilho da arte super expressiva do Muñoz.

Nota: 5/10

Ponto quarenta – a polícia para leigos (romance de Roger Franchini. Editora Veneta, 128 páginas, lançado em 2015, entre R$23,90 e R$39,90 – não lembro quanto paguei nessa porqueira)

Personagens rasos como pires, inconstantes, com cronologias incoerentes e superficiais, uma alternância de voz do narrador (ora em 1° pessoa, ora em 3°) sem nenhum sentido narrativo. Um livro pobre, composto de uma série mal amarrada de contos soltos sobre a polícia com um final ridiculamente acelerado e clichê.

Nota: 0/10

Condado de Essex – Completo (de Jeff Lemire, desenhos e roteiro. Editora Mino, 516 páginas, ago/2017, R$98,00 – mas comprei numa promocha da Amazon)

Confesso um ranço gratuito do Lemire. Li só o preview (!!) de Sweet Tooth e achei chato-bobo-feio-cara-de-melão badaladinho pros hipsterezes curtirem. Não sei pq pilhei pra ler Condado de Essex e puta que pariu, que gibi do caralho! Sério, que HQ fodida! QUERO MAIS!

Nota: 10/10

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