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Nerd Show: Quadrinhópole


André Caliman & Leonardo Mello: editores da Quadrinhópole

Leonardo Mello, editor da Quadrinhópole, concedeu minutos de seu escasso tempo para participar do nosso Nerd Show.
A revista tem se destacado no cenário nacional de gibis. Se você não comprou é um bobão, mas pode compensar isso lendo o blog dos caras

Mallandrox: Vocês quadrinizaram a música Papai Noel Velho Batuta, dos Garotos Podres, como se fosse um videoclipe. De quem foi a idéia? E o que a banda achou do resultado final?
Leonardo Mello: A idéia surgiu numa conversa minha com o André Caliman. Estávamos pensando no que fazer para a segunda edição e ocorreu-nos que seria legal fazer interações com outros tipos de arte. Ajudaria a divulgar a revista e também acabaria promovendo um evento no qual poderíamos vendê-la, coisa que é extremamente necessária de ser feita a cada lançamento, dada a precariedade da distribuição de quadrinhos independentes no Brasil. Pois bem, o natal estava chegando e eu lembrei da música “Papai Noel, Velho Batuta”. Poderíamos fazer o clip e chamar a banda para dar um show no lançamento. O André também conhecia e curtiu a idéia, mas acho que no momento a gente estava mais de gozação do que qualquer outra coisa… mesmo porque devíamos estar bêbados (rs).
Não sei se foi bem no dia seguinte, de ressaca, ou alguns dias depois, mas estava eu de frente para o computador e pensei… “Mas espere aí… por que não, afinal?”. E hoje em dia, com a internet, foi relativamente fácil entrar em contato com o Cacá Prates, produtor dos Garotos Podres, e começar a agilizar o evento. O Cacá falou com eles e eles também gostaram, mesmo porque, pelo que fiquei sabendo, eles curtem muito tocar aqui em Curitiba. Bem, eu fiz o roteiro do “clip desenhado” e passei para eles verem. Eles aprovaram e o desenhista mandou bala.
Foi uma coisa meio louca que acabou dando certo. Lembro do vocalista da banda elogiando a revista e a iniciativa independente “neste país de merda” (segundo suas próprias palavras), antes de tocar a clássica “Papai Noel”. A galera foi ao delírio. Sério. No final, tinha bastante gente saindo e nos cumprimentando por termos trazido os Garotos Podres de novo para Curitiba. Neste momento, todo nosso esforço valeu a pena.
Mallandrox: Vocês repetirão o feito com outras bandas punks como Mukeka di Rato ou Ratos do Porão?
LM: Não pensamos nada neste sentido ainda no momento. A idéia de trazer os Garotos Podres foi bem bacana, mas trabalhar com bandas conhecidas assim é uma trabalheira do cacete. Vocês devem imaginar. Se voltarmos a fazer isso, eu gostaria que fosse com bandas menos conhecidas, que precisem de tanta divulgação quanto a gente. Assim, uma mão lava a outra. Mas continuamos com as idéias de fazer interações com outras artes ao longo das edições. Na terceira, foi com teatro e agora na quarta, foi com dança. A próxima será lançada durante o aniversário de 25 anos da Gibiteca, então não carece de outro evento deste tipo (mesmo porque precisamos de uma folga).
E se tudo der certo, periga que na sexta edição, seja com cinema.
Bugman: Houve alguma pesquisa de mercado para o lançamento da revista? Qual o orçamento que vocês têm dela?
LM: Fala sério! A gente mal tem grana pra bancar a gráfica, você quer que a gente faça pesquisa de mercado? Hehehehe. Falando sério agora, claro que o ideal era fazer uma pesquisa antes de lançar qualquer coisa, mas isso exige custo, se você quiser fazer algo decente. E nosso público, no momento, é um pouco restrito, como ir atrás deles pra saber o que eles querem? Óbvio que não estou falando dos fanboys… esses é só você atirar uma pedra pra cima que cai um. Mas como nossos recursos eram escassos, a solução foi lançar a revista e esperar a receptividade. Assim, o público vem até nós e nos diz o que quer, ao invés de irmos atrás deles. E aos poucos, vamos moldando a “cara” da revista.
Quanto aos gastos… além do custo com a gráfica, é sempre interessante separar um tanto para a divulgação, principalmente quanto se quer organizar eventos. Claro que a divulgação na internet ajuda, e muito, mas nem sempre isso é suficiente. Na ocasião do lançamento da primeira edição, por exemplo, fizemos alguns panfletos, assim como para o show dos Garotos Podres. Quando o pessoal da Avenida lançou a revista deles, fizeram camisetas. É disso que precisamos, esse tipo de iniciativa, que ajuda a divulgar a revista e o movimento independente como um todo.

Ultra: Você tentou apresentar seu trabalho para grandes editoras como a Pixel para tentar publicar de forma profissional ou seu objetivo foi lançar de forma independente, mesmo?
LM: Tentei, sim, mas o grande problema das editoras nacionais é que elas querem o material pronto, de preferência histórias fechadas. Esse tipo de coisa demora para ser produzida e às vezes o desenhista desanima durante o processo, porque não vê retorno algum. E as editoras NUNCA vão arriscar lançar uma revista mensal com material de artistas desconhecidos, por motivos óbvios. Bom, como ninguém queria esperar, o jeito foi meter as caras. E acho que foi a decisão certa. A gente adquire uma puta experiência no processo. E daqui a algum tempo, vamos ter o material para apresentar para as editoras de qualquer forma, ou mesmo tentar mandar para fora do país. Temos que arriscar de tudo que é jeito, certo?
Bugman: O trabalho de Jean Okada é, possivelmente, um dos melhores do Brasil esse ano. Quais os outros trabalhos dele e como serão suas próximas colaborações para a revista?
LM: Pra ser honesto, não sei se o Jean irá voltar a colaborar com alguma história na revista. Lamento dizer isso, porque ele é um artista excepcional, mas atualmente está atolado de trabalhos e sem muito tempo para pegar novos roteiros. Tivemos sorte dele desenhar a história “FIM”, do Moraes. Não sei dizer se atualmente ele está produzindo algo na área de quadrinhos para publicação. Espero que sim!
Bugman: Existe apenas um único personagem com série fixa, o Undeadman. Por que apenas um e porque justamente ele? Existe a possibilidade do personagem ganhar uma revista solo?
LM: Bem, é sempre complicado tentar agradar gregos e troianos. Alguns odeiam séries fixas, porque isso meio que os obriga a ficar acompanhando a história e colecionando aquela revista. Outros adoram… e justamente pelo mesmo motivo. Assim, seria muito arriscado lançar uma revista com quatro séries fixas e desconhecidas pelo grande público. O camarada que comprou a número 1, curtiu e continuou comprando, tudo bem… mas e o povo que pegou o bonde andando? Tem gente que fica indignada quando pega uma revista e descobre que ela faz parte de uma seqüência… Por isso tem muita gente que prefere só histórias fechadas. É a saída que o pessoal da Garagem Hermética preferiu, por exemplo.
Certo, mas então, por que arriscar, não é mesmo? E por que justo o Jason, como você disse…? Bem, eu sempre quis escrever mesmo é série fixa de algum herói. Lançar uma revista solo dele? Seria um sonho realizado. Mas primeiro, eu precisava apresentá-lo aos leitores. E quando decidimos lançar a Quadrinhópole, a oportunidade surgiu. Eu e o André temos um certo carinho pela personagem, porque o que deve acontecer com ele daqui pra frente é bem empolgante. Por enquanto, estamos apenas esquentando os motores. Espero que eu viva pra poder contar tudo que eu quero… afinal, o Jason é imortal… mas eu, não.. heheeh..
Pra finalizar, gostaria de dizer que é uma grande honra estar neste Nerd Show… um grande abraço a todos os malucos do MdM e aos seus leitores!

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"Sabe outra coisa impossível? Um gorila montado no capitão América. Não sei pq achei essa imagem na internet, mas é sensacional"

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