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Vôo United 93


Quantos de vocês pensaram, ainda durante o 11 de setembro, que Hollywood logo faria um filme sobre aquilo tudo? Pois é, agora vocês já podem dizer “eu já sabia!”.

Como o título já deixa claro, Vôo United 93 concentra a sua atenção sobre o vôo número 93 da United Airlines, o quarto avião a ser seqüestrado naquela manhã e o único que não atingiu o seu alvo (provavelmente a Casa Branca), caindo nos arredores de Washington. Para tentar reconstituir os acontecimentos com máxima fidelidade, o produtor, diretor e roteirista Paul Greengrass (de A Supremacia Bourne) fez uma grande pesquisa, entrevistando parentes dos passageiros e da tripulação, controladores de vôo civis e militares que trabalharam naquele dia, além de consultar as gravações do vôo, o noticiário e os relatórios das investigações.

Um dos seqüestradores antes do embarque

O resultado poderia ser um típico filme “baseado em fatos reais”, com reconstituições exageradas, desfecho heróico e uma óbvia lição de moral no final. Felizmente não é, graças às escolhas de Greengrass. A primeira delas foi não ter atores muito conhecidos no filme (Torres Gêmeas, filme de Oliver Stone sobre o mesmo tema que sai ainda esse ano, tem Nicholas Cage como grande destaque) e chamar profissionais reais para interpretar a si mesmos, como no caso de alguns dos controladores de vôo.
A segunda boa escolha de Greengrass foi fazer um filme em tempo real, exceto pela seqüência inicial. Em pouco menos de duas horas, são mostrados não apenas os preparativos e o vôo da United (que durou apenas 90 minutos), mas também como toda aquela situação (o seqüestro simultâneo de vários aviões) pegou de surpresa as autoridades norte-americanas, tanto civis quanto militares. Nesses momentos fica claro que foi a falta de comunicação (e não a falta de vigilância e policiamento, como o governo dos Eua declara desde então) que permitiu que tudo acontecesse. É emblemática a cena em que os militares só descobrem o que aconteceu com um dos aviões que sumiram do radar ao ver o noticiário da CNN sobre um avião batendo no World Trade Center.

Passageiros discutem o que fazer

Outra decisão acertada do diretor foi realizar a maior parte das filmagens do interior do avião (na verdade, partes de uma aeronave desativada remontadas em estúdio) com câmeras portáteis para conseguir capturar o improviso dos atores em cima do roteiro básico e da pesquisa sobre cada uma das pessoas que estavam no vôo. Esse tipo de câmera instável e ágil dá ao espectador a sensação de estar dentro do avião, inclusive com a imagem tremida durante as turbulências.
Entretanto, Vôo United 93 está longe de ser um grande filme. A justificativa para sua existência parece ser unicamente a validação e o registro (um tanto ficcional) do que aconteceu, já que na cultura dos Eua (e, por influência, de quase todo o mundo) qualquer acontecimento histórico ou cultural só tem seu valor reconhecido ao ser imortalizado pelo cinema (mesmo que de forma banal, na maioria dos casos). Isso acontece inclusive com os leitores de HQ, que insistem que obras-primas dos quadrinhos, cuja qualidade está justamente em usar com maestria os recursos específicos do meio, sejam adaptadas para o cinema.

O diretor de operações Ben Sliney interpretando a si mesmo

Paul Greengrass faz um registro tecnicamente exemplar de um fato marcante da história recente, sem apontar motivos, culpados ou heróis. Não há nada do tipo “vamos derrubar o avião ou eles vão acertar a Casa Branca!”; o plano dos passageiros era simplesmente retomar o controle do vôo. Quando o momento final se aproxima, seqüestrados e seqüestradores rezam, cada um ao seu Deus, lembrando aquele dito popular que diz que não há ateus num avião em queda livre. Se há heróis e vilões, certo e errado, justiça e injustiça, é cada espectador que vai dizer, não o filme. A obra procura apenas mostrar a visão do autor para os fatos (baseada em muita pesquisa), mas não faz julgamentos absolutos, o que certamente é um ponto positivo.
O filme é eficiente como visão autoral sobre um fato real e deve agradar aos que buscam apenas saber um pouco mais sobre o que aconteceu em 11 de setembro de 2001. Mas certamente não vai agradar quem procura um filme político com uma crítica ferrenha à política externa norte-americana ou quem espera ver um filme-catástrofe em que o homem comum vira herói e salva o dia.
Nota: 7,0

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O que esse cara ainda tá fazendo aí? VAI EMBORA DO AMÉRICA!!!

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