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Fallout 76: um review 4 anos depois

Quem já acompanha o MdM há muito tempo já sabe do meu amor e paixão pela franquia Fallout. Eu jogo desde o primeiro e joguei o mesmo save de Fallout New Vegas por quase 10 anos! Apesar de muitas ressalvas com Fallout 3 e 4, a franquia ainda mora no meu coração.

Em 2018 a Bethesda anunciou Fallout 76: o primeiro Fallout online, sem nenhum NPC, onde os únicos seres humanos seriam os pŕoprios jogadores – 24 pessoas no máximo – em um mapa que é quase 4 vezes maior que o de Fallout 4. Todd Howard, como sempre, fez aquelas promessas que sempre faz, que Fallout 76 seria algo revolucionário.

O jogo lançou e, como é o histórico da Bethesda, saiu cheio de bugs – isso sem falar nos problemas fora do jogo, como os pedidos de reembolso negados, os prêmios faltando nas dições de luxo, etc.

Mas como bom idiota que sou, eu comprei o jogo na pré-venda e…

…óbviamente o jogo era uma merda.

Com 24 jogadores simultâneos espalhados em um mapa quase 4 vezes maior que o de Fallout 4, você nunca encontrava ninguém.

O lag estava gigantesco. Você atirava nos monstros e eles não morriam. E, quando morriam, davam respawn bem na sua frente.

Bugs antigos de Fallout 4 ainda estavam lá.

E o pior: Fallout 76 era um jogo… vazio! Não tinha nada pra fazer. A força da franquia sempre foi a história e seus NPCs malucos e interessantes. Agora tínhamos uma história qualquer nota, que era contada por holotapes e por terminais de computador e só.

Uma história, aliás, que contradizia toda a essência da franquia: ela estimulava os jogadores a usar bombas nucleares pra terminá-la! A essência de Fallout é justamente uma crítica ao capitalismo e como ele leva para o terror da guerra nuclear e suas consequências!!!

De um jogo com uma narrativa poderosa, de diálogos afiados e de um humor diferenciado vimos uma experiência vazia onde seu maior incentivo era jogar bombas nucleares pelo mapa, pegar roupas coloridas e construir casas. E só.

Larguei o jogo triste pelo potencial que ele poderia ter.

Então eis que a Bethesda anuncia mudanças. Passado o furacão da sequência de desastres do lançamento, ela anunciou a introdução de NPCs, novas facções, expansões e melhorias no jogo.

Conhecendo a empresa e o desastre que é seus lançamentos, esperei mais um pouco e agora, 4 anos depois, resolvi dar uma nova chance.

E aí? Como está agora Fallout 76?

Agora temos NPCs. Assim que você sai do vault, você já encontra dois personagens que falam pra você um rápido contexto de como várias pessoas e gangues novas estão chegando. Depois de jogar por alguns minutos, a narrativa já te leva pra mais NPCs e pra algumas missões relacionadas a esses NPCs, que vai aos poucos te levando pra conhecer mais facções e novos lugares.

A performance melhorou. Não encontro mais bugs, o lag está mais ou menos aceitável e uma das principais coisas que me incomodavam – o respawn de inimigos na sua frente – não tem mais.

Um jogo que era muito vazio agora está cheio de coisas pra fazer e personagens para conversar, rodando melhor que antes.

Então quer dizer que Fallout 76 finalmente se tornou um bom jogo?

Vamos imaginar o seguinte cenário: você é um arquiteto, certo?

Você é contratado pra construir uma cozinha. Você vai lá e constrói a cozinha.

Agora seu chefe pede pra você construir uma quadra de basquete. Usando a estrutura da cozinha mas sem derrubá-la por completo. Você tem que dar um jeito de inserir uma quadra de basquete ai.

Dá pra fazer?
Dá.

Vai ficar bom?
Óbvio que não.

Posso falar que o jogo melhorou? Posso. Melhorou sim.
Se antes eu não conseguia passar meia hora jogando, agora já registrei 12 horas de jogo.

Mas o jogo ainda é ruim.

A história é muito fraca. Todas as nuâncias e consequências dos diálogos que a gente está acostumado não existem mais. O que vemos é uma história totalmente linear, com personagens rasos e sem graça, com um monte de buracos e falhas que deixam tudo pior.

Por exemplo, na história original, a overseer do Vault 76 fugia do Vault e deixava holotapes espalhadas pelo caminho. Seguindo essa missão, você andava pelo mapa todo, fazendo missões e conhecendo aos poucos a (fraca) história do jogo.

Nessa nova atualização, eu saí um pouco do script da história, fiquei perambulando por aí e achei a própria overseer em uma casa!!! Eu matei a missão principal do jogo em 15 minutos!!!

Com isso, a nova estrutura do jogo, com suas novas missões e novos NPCs, ao invés de trazer mais profundidade a um jogo incialmente raso e vazio, apenas trouxe mais roupinhas coloridas, arminhas e novos móveis pra você construir sua casa.

“Ah Change, mas não dá pra aproveitar nada?”

Olha, parte da minha diversão com jogos da Bethesda – incluindo aí Elder Scrolls e Fallout – é perambular pelo gigantesco mundo aberto.

Fallout 76 tem o mundo aberto mais bacana e variado que a Bethesda já criou. Os cenários são muito bacanas com ambientes variados e interessantes.

Boa parte da minha jogatina que mais gostei foi justamente isso. Passear por aí, ver os lugares interessantes… Mas parou por aí.

Concluindo, Fallout 76 se tornou um jogo mais, digamos, aturável. Dá pra jogar por algumas horas a mais do que antes.

Mas o que eu espero de uma franquia tão importante é algo muito melhor que simplesmente “aturável”.

Se você é fã da franquia, pode pular que Fallout 76 nunca vai ficar bom. Sua base estrutural já é toda cagada.

Porém, se você é fã desses jogos online de coletar roupas coloridas e construir casas, talvez seja legal você dar uma chance. Enfim, não é pra mim.

Nota na época do lançamento: 1
Nota depois do lançamento: 3

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