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A gente lemos: Cassidy & Demian #1

Pode ser que você esteja velho, cansado, o pinto já não sobe mais e, pra ter um pouco de diversão na vida quadrinística, fique caçando por aí quadrinhos diferentes para ler. Ou pode ser simplesmente que você é daqueles que compra qualquer coisa que tenha uma capa legal e leva pra casa. Ou ainda, quem sabe você é um entusiasta das publicações da Sergio Bonelli Editore (SBE) e compre tudo deles que sai por aí.

Qualquer uma das três opções fez com que você, uns meses atrás, levasse pra casa (ou pelo menos ficasse instigado) com a nova publicação da Mythos, Cassidy & Demian, nas bancas. É dela que vamos falar.

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C&D (pra economizar teclado) veio para ocupar o espaço de Mágico Vento, série mezzo faroeste que terminou recentemente, e que eu nunca li, mas quem leu recomenda. Entretanto, se em Mágico Vento a Mythos lançava um único título mensalmente, em C&D a ideia é juntar dois títulos (ambos de Pasquale Ruju nos roteiros) numa única revista bimestral.

Cassidy é o primeiro  deles, e traz as histórias do honrado ladrão Raymond Cassidy. Um cara elegante, ex-operativo do exército norte-americano, e que hoje vive de aplicar roubos bem planejados e limpos, sem derramamento de sangue de civis – praticamente um James Bond da bandidagem. Quando uma ação dá errado, ele se depara com a versão afro e bluzeira do Charles Bronson em Era uma vez no oeste que lhe dá a real do destino: só lhe restam 18 meses de vida, e ele precisa pôr as coisas em ordem.

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Demian, narra a história de uma espécie de justiceiro galante, o Demian do título. Alto, espadaúdo, de longos cabelos loiros e olhos violeta, Demian praticamente fugiu da capa de algum romance água com açúcar barato: aparentemente, ele é o desiludido operativo de uma fraternidade secreta, que abandona seu espaço depois de perder o grande amor.

As duas histórias são tramas iniciais na trajetória dos personagens, começando em pontos de virada dentro da “vida” ficcional deles. Cassidy é uma história contemporânea de ação, a la Driver e Busca Implacável, enquanto Demian é um trem assim assim, um Agente Bourne no corpo do Vega de Street Fighter.

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Nenhuma das duas histórias consegue empolgar – tudo tem um gosto de “já vi isso antes”, com personagens sem carisma ou novidade. Não há a sutileza de um Julia Kendall da vida, o interesse histórico de uma Face Oculta  ou o inusitado de um Dylan Dog. Na verdade, exceto pela forma de publicação, nada aqui faz com que você se sinta lendo um título da Bonelli. Talvez mais alguns números possam torná-los mais convidativos, mas…

Quando eu vi C&D na banca, até fiquei curioso. Mas dois pontos me afastaram da publicação: o primeiro deles, o fato de ser uma “maxissérie” em 18 edições bimestrais de um material nenhum pouco conhecido do grande público – e eu já tinha passado raiva com isso ao me aventurar em Face Oculta, da mesma Bonelli, mas lançada pela Panini. O segundo ponto é a relação custo-benefício. Com alardeadas 228 páginas, C&D custa R$24,90. Ok, eu pago, amarradão, R$19,90 em 132 páginas de O Inescrito, por exemplo, que não é lá um exemplo de blockbuster. Mas convenhamos: dói menos pagar R$19,90 numa HQ de 132 páginas, formato americano, papel legal e a cores do que R$24,90 em 228 páginas de formatinho, papel jornal vagabundo, preto e branco… Aí segue aquele velho problema da Mythos: edições fura-olho que encalham, não vão pra frente e a culpa é do leitor que só compra uma edição de cada número (Graças a São Kirby que eu tenho amigo no mundo e pude ler essa parada emprestado).

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Enfim, se você é daqueles leitores que está a cata de material novo e interessante, continue procurando porque, de acordo com o primeiro número de Cassidy & Demian, ele não está aqui.

Cassidy & Demian número 1, de Paquale Ruju e Maurizio di Vincenzo (Cassidy); Ruju, Luigi Piccatto e Giorgio Sommacal (Demian). Com 228 páginas, formatinho, R$ 24,90. Editora Mythos.

Nota: 4

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