Review: Cyberpunk 2077 – Phantom Liberty

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Todo mundo aqui já está careca de saber da trajetória vergonhosa que foi o lançamento de Cyberpunk 2077: depois de quatro atrasos e muitas promessas, o jogo saiu cheio de bugs pros consoles de videogame e muito do que foi mostrado nos trailers da E3 não estava lá.

O lançamento de Cyberpunk 2077 foi tão bizarro que a melhor versão do jogo na época do lançamento – a que melhor rodava e a que tinha menos bugs – era a do Google Stadia!

E quando a melhor versão do seu jogo é a do Google Stadia, aí meu amigo, temos um grande problema!

Essas poses em T eram os bugs mais suaves no lançamento

Mas a CD Projekt Red, aos trancos e barrancos, foi consertando o jogo com longos e demorados patches… Eu acompanhei tudo desde o começo e instalei todos ps patches.

Pra você ter uma ideia de como demorou pro jogo atingir um bom nível de excelência (principalmente nos consoles, que mais sofreram), eu vi as coisas melhorarem mesmo só no patch 1.5, que saiu em fevereiro de 2022, DOIS ANOS depois do lançamento do jogo.

Mas a sorte da CD projekt Red é que esse patch coincidiu com o lançamento do (incrível) anime da Netflix baseado no jogo, o Cyberpunk: Edgerunners, que foi um sucesso arrebatador, levando milhares de pessoas pro videogame logo depois.

Sério, vejam esse anime! É fantástico!

E agora, três anos depois do lançamento do jogo, a CD projekt Red lança o primeiro e único DLC: Phantom Liberty, que promete uma generosa campanha, novos itens, uma novíssima jogabilidade e até novos finais.

A CD Projekt Red tem sua reputação de fazer bons DLCs depois dos que lançou no Witcher 3 – que realmente são fantásticos!

Mas e aí? Depois de três anos temos finalmente uma versão decente de Cyberpunk 2077, com um DLC bom e que faz juz ao tão amado cenário?

Bem, primeiro de tudo, vou falar um pouquinho da minha experiência com o RPG de mesa e o jogo de video-game.

A capa do RPG de mesa Cyberpunk 2020. Um Clássico!

Lá na minha adolescência nos anos 90, no auge do meu vício de RPGs, eu descobri o jogo Cyberpunk 2020. Era diferente de tudo o que eu tinha visto na época (eu só sabia da existência de RPG medieval).

Eu li o livro de regras de cabo a rabo. O jogo era estilo puro, com uma crítica acirrada ao capitalismo e de como as grandes corporações ganham cada vez mais poder. Além disso, Mike Pondsmith, o criador do RPG, trazia o conceito da ciberpsicose, em que a linha entre o ser humano e a máquina ia ficando cada vez mais estreita.

Pondsmith mergulha fundo na crítica social, luta de classes e em como só os fortes sobreviviam em Night City… E como derrotar os poderosos era necessário, seja você um guitarrista revolucionário ou um jornalista investigativo.

Mike Pondsmith, o gênio por trás do cenário de Cyberpunk 2020

E então finalmente saiu o jogo Cyberpunk 2077 da CD Projekt Red. Comprei o jogo no primeiro dia de lançamento e fui sedento jogar.

Eu joguei no PC e, ao contrário da maioria das pessoas, minha jogabilidade rolou 100% livre de bugs. Eu consegui completar a história de cabo a rabo, fazendo praticamente 100% das missões sem nenhum solavanco.

Apesar de ter adorado a protagonista V, o Johnny Silverhand (que meio que fizeram um amálgama dele com o Morgan Blackhand, do livro de RPG) do Keanu Reeves vai aos poucos te conquistando e todos os finais, apesar de bem tristes, entregam uma excelente história.

Os gráficos de Cyberpunk 2077 ainda são os melhores do mercado

Mas a CD Projekt Red entregou, no final, uma experiência diluída do RPG de mesa. E não estou falando dos bugs ou da jogabilidade, mas sim da essência do RPG de mesa.

A ciberpsicose, um conceito tão legal e atual, foi diluído a um mero “enfrente aqui esse chefão forte e ganhe dinheiro”.

A luta de classes e todo o aspecto revolucionário do mundo criado por Mike Pondsmith foi jogado pro escanteio das poucas lembranças do Johnny Silverhand, pra entrar o trama pessoal da V, protagonista que no final só quer salvar sua vida.

O ciber-espaço e os hackers viraram só uma forma a mais de causar dano nos inimigos.

As classes diversas e instigantes (jornalistas, arranjadores, etc) foram reduzidas a três: street kid, nômade e corpo.

E o estilo, que é peça importante no RPG de mesa, deu lugar ao “que roupinha vai me dar mais proteção a dano?”.

O anime da Netflix acabou sendo uma experiência muito mais completa que o jogo de videogame!

A ciberpsicose tão bem explorada no anime Edgerunners

Mas enfim, Cyberpunk 2077 não foi a experiência que eu queria do cenário de RPG, mas foi sim um dos melhores games que eu já joguei.

Como falei, apesar da experiência diluída do RPG de mesa, ainda temos uma excelente história, bons personagens, um mundo aberto belíssimo e gráficos muito imersivos.

Foi por isso que eu fiz 3 saves completos e me diverti demais em cada um deles… E foi por isso também que eu comprei a expansão, Phantom Liberty, no dia do lançamento.

Idris Elba como o soldado Reed

E aí chegamos finalmente em Phantom Liberty, a única DLC para Cyberpunk 2077 da CD Projekt Red, que chegou junto com a versão 2.0 do jogo, que muda bastante coisa.

Na história, depois de terminar a parte do segundo ato que envolve os Voodoo Boys (quando a V atravessa a Blackwall atrás da Alt Cunningham), V recebe uma chamada de Songbird, uma hacker que está a bordo do Space Force One, avião da presidente dos Novos Estados Unidos. Segundo ela, o avião está pra cair em Dogtown, que é uma espécie de terra sem lei no meio de Night City, governada por um ex-militar do exército americano chamado Kurt Hansen.

Songbird diz que V precisa chegar até o ponto de impacto do avião e retirar a presidente de lá a qualquer custo. A hacker diz para V que consegue retirar o chip com o engrama do Johnny Silverhand da cabeça dela caso ela consiga resgatar a presidente Myers.

Songbird

Mais acima eu falei dos pontos de Cyberpunk 2020 que a CD projekt Red deu uma diluída no seu game. Em Phantom Liberty a desenvolvedora não aprofunda nenhum deles. Ela insere uma trama de espionagem que acontece no meio da campanha principal do jogo. V está envolvida em um atentado contra a vida da presidente dos Novos Estados Unidos enquanto navega por meio de vários agentes secretos, tentando descobrir quem está tentando te passar a perna e o que é mentira ou verdade.

Nessa expansão a CD projekt Red fez o que mais acertou até agora em Cyberpunk 2077: é uma história tensa, imprevisível e envolvente. Por mais que a desenvolvedora utilize aquele velho tropo dos mundos abertos de “várias opções de diálogos no final dão o mesmo resultado”, você ainda fica na ponta do pé ao tomar cada decisão.

Reed, Songbird e a presidente Myers são muito difíceis de se ler, e a direção do jogo, que fornece a melhor captura de movimento de personagens que eu já vi até hoje, te joga pra dentro da tela do computador. Juntando isso com a nova área Dogtown, muito bem desenvolvida, faz o jogo ser um prato cheio pra galera que gosta de imersão.

Dependendo das decisões que você for tomando em Phantom Liberty, há novos finais para a protagonista V. Pode não ser o que você esteja esperando, mas há sim algo de novo pra se ver no fim do jogo e da expansão.

Olha, mesmo não mostrando muitos dos pontos que eu queria ver em Cyberpunk 2077, a experiência de jogar do início ao fim foi muito satisfatória. E a adição desse DLC deixa o jogo mais legal ainda pois, como os jogadores de Witcher 3 podem afirmar, a CD Projekt Red não brinca em serviço nas suas expansões.

Phantom Liberty nos trás tudo que a CD Projekt Red acertou na campanha principal, só que melhor ainda.

Pra mim, valeu o preço. Valeu o jogo principal, a DLC e valeu toda a experiência que tive jogando meus muitos saves do game. Cyberpunk 2077 e sua expansão é um jogo que coloco fácil no meu top 10 de jogos da vida.

Nota 9

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