“O novo Duke Nukem precisa de uma mudança de paradigma”

O ano era 1997. Era meu aniversário de 16 anos e minha amada tia Fátima me dava de presente uma caixa com o jogo Duke Nukem 3D. Era o primeiro jogo original para computador que eu tinha – o resto era pirateado em dezenas de disquetes cheios de vírus, que me fizeram formatar o computador umas trocentas vezes. Computador esse que era um Pentium 100 que eu havia montado aos trancos e barrancos com peças usadas compradas do prédio da Avenida Central no Rio de Janeiro.

Na caixa aparecia Duke Nukem, o personagem principal, pisando em cima de um monstro enquanto estourava a cabeça do mesmo. Eu só fui perceber anos depois que essa capa era uma belíssima homenagem ao pôster de “Uma Noite Alucinante”, um dos meus filmes preferidos da época – o que me deixou mais empolgado na época.

Do lado de trás da caixa eu via gráficos alucinantes, que se distanciavam (pelo menos na arte da caixa) em muito do Doom 2, jogo que eu estava viciado na época.

VINTE E OITO LEVELS
10 ARMAS DIFERENTES
INIMIGOS GIGANTESCOS
ALTA RESOLUÇÃO COM GRÁFICOS SVGA
O FUTURO DOS GAMES EM 3D NUNCA MAIS SERÁ O MESMO!

E nunca mais mesmo.

Duke Nukem 3D apresentava sim gráficos melhores que Doom 2 – que na época era o ápice visual! Mas não era só aí.

A jogabilidade de Duke Nukem 3D era rápida e diferente. Tudo fluia mais facilmente, e Duke conseguia pular, correr, voar, criar iscas com o Holoduke e, principalmente, FALAR!

Ficava pra trás o quieto Doom Guy e entrava o desbocado Duke Nukem, que fazia piadinhas, soltava frases de efeito e parecisa sair direto dos filmes de ação dos anos 80 (sua similaridade com os heróis dos mesmos não era coincidência).

Então tínhamos um novo game que aliava gráficos avançados, excelente jogabilidade e um personagem carismático que chamava muita atenção. Duke Nukem foi um sucesso instantâneo!

O problema é que, nos games seguintes, a 3D Realms nunca mais conseguiu repetir a mesma fórmula e Duke foi fadado ao fracasso, caindo de vez com Duke Nukem Forever, que tentava beber da mesma fórmula, mas foi uma bosta de jogo.

Mas e o que o futuro reserva para o velho Duke?

Randy Pitchford, presidente da Gearbox, falou um pouco ao IGN o que o próximo game da franquia precisa:

A solução pro próximo game do Duke Nukem não é só na história a ser contada. O que precisa mudar no Duke é seu paradigma. Duke Nukem 3D funcionou não só pelo personagem em si. A razão pela qual todos nós gostamos do game foi pelas inovações do Gameplay. Hoje em dia é cada vez mais difícil de inovar – Duke Nukem Forever tentou e mostrou o resultado disso. Precisamos sim de uma mudança do paradigma do design do jogo. Alguma coisa que a gente nunca viu antes.

Um game é definido pela sua história, estilo e design. A história é a premissa, o personagem – é o quem, que, quando e onde. O estilo é como vemos e sentimos o game, é a direção de arte, a direção de áudio, é como traduzimos o estilo do game. E aí temos o design, que é o gameplay. É a câmera, o controle, o gênero. É tudo isso!

Então precisamos começar pelo Design (gameplay, controle, gênero, etc). O jogo do Duke Nukem que vai fazer sucesso no mercado é o jogo que trouxer algo de novo aqui. Foi isso que fez de Duke Nukem 3D um sucesso. O personagem, a história e o estilo são coisas que procedem o design.

Randy Pitchford tá certo. Temos duas soluções pro Duke: ou aposenta o personagem de vez e deixem-nos com as boas lembraças dos anos 90 ou muda totalmente o paradigma do game.

Algo que parece que vai rolar em Wolfenstein 2

Aliás, dêem logo o velho Duke pra Bethesda e deixem os caras pirar! Tentar sobreviver só com carisma do personagem é algo que não deu certo nas últimas trocentas vezes.

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