A gente vimos: Batman Vs Superman – A Origem da Justiça, por Bugman (spoilers sem pecado e sem juízo)

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A vida é feita pelas expectativas que temos. Quanto menos se espera, menor a chance de se decepcionar. Por outro lado, uma vida sem esperança não permite a ninguém ser feliz. Por isso, Batman vs Superman – A Origem da Justiça me despertava sentimentos antagônicos: ao mesmo tempo que esperava uma bomba sonhava em estar errado e me impressionar com a história. Em ser feliz ali.

E foi com esse sentimento que entrei na sala de cinema no último sábado ao lado de nerds e fanboys.

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Batman vs Superman é aquele tipo de filme para o qual você torce. Não é a toa que ouvi aplausos empolgados umas três vezes. O mesmo número dos facepalms que cometi diante da telona. Boa parte dos espectadores funcionam quase como uma torcida organizada: a “Unidos por Batman vs Superman”, que vibra com os momentos massa, véio como se estivessem diante de um lance de placa em uma partida de futebol. Mas mesmo nesse clima de arquibancada, estamos diante de um filme. E por mais bonito que seja uma cena ou drible não muda o desapontamento com cada gol contra.

Ou simplesmente os momentos em que o filme não entrega o que deveria.

E por mais que você torça, grite e queira bater palmas não dá para negar: Batman vs Superman é um filme ruim, bem marromeno. Com uma cara de tutorial de vídeo game no youtube em que entrega boas cenas de ação, mas esquece de uma história decente com personagens clássicos, que por si só já empolgam e levam qualquer nerd ao cinema.


Temendo as ações de um Super-Homem visto quase como um deus e ainda com a lembrança da destruição de Metropolis anos atrás, Batman resolve buscar uma forma de tornar o homem de aço vencível. E enquanto ambos estão em guerra, uma nova ameaça surge através de Lex Luthor, colocando a humanidade em perigo.

Com uma história simples e boas premissas, a produção dirigida pelo superestimado Zack Snyder entrega apenas o conflito que dá nome à história. Sim, Batman e Super-Homem participam de uma briga que evoca O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller de uma forma banal e gratuita. E este é o principal problema: Batman vs Superman bebe da fonte original dos quadrinhos, mas vomita o basicão do cinema de ação ao invés de entregar uma história tão emocionante quanto as que lemos.

Será que apenas referenciar os quadrinhos que criaram a mitologia que todos admiramos basta para as adaptações de quadrinhos? Por que a Warner ainda não conseguiu usar essas referências para fazer bons filmes, que respeitem o melhor dos personagens e se bastem como história?


SENTA QUE LÁ VEM SPOILERS!

Entre os problemas do filme, estão os buracos, ou melhor, as crateras do roteiro escrito por Chris Terrio e David S. Goyer. No maior deles, Batman (Ben Affleck) resolve se aliar ao Super-Homem (Henry Cavill) basicamente porque descobre que o filho de Kritpon também tem mãe. E ela tem o mesmo nome que a sua.

Uau. Parece mesmo um bom motivo.

Tão impressionante quanto a facilidade com que Lex Luthor tem acesso à tecnologia alienígena é o fato do Super-Homem não arremessar a lança ao invés de se atracar com ela contra o Apocalypse e por aí vai. Um filme sem os heróis que aprendemos a amar seria ruim por essas falhas. Batman vs Superman é pior porque banaliza heróis que Richard Donner e Christopher Nolan já nos ensinaram que são tudo exceto banais.

A apresentação da Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher) é apressada e superficial, como quase todos os conflitos que assistimos. É um filme que expõe muitas questões e personagens, mas não aprofunda nenhum desses elementos. Inclusive, o maior erro que você verá por aí é dizer que a produção explora questões existenciais e densas quando simplesmente tudo aparece em relance e depois é abandonado. Gratuito.

Entre os poucos acertos, Cavill constrói uma atuação sólida e parece mais confortável no papel de um “Super-Homem Ultimate” assim como Amy Adams é uma Lois Lane ainda melhor (talvez a grande atuação de um filme quase constrangedor). Jesse Eisenberg faz seu Lex Luthor tal qual uma espécie de Steve Jobs psicopata. É ousado e é uma pena que não tenha a chance de surgir em uma produção melhor: o personagem acaba desaparecendo diante de tantos erros. Entre os quais está a atuação do protagonista. Ben Affleck poderia ter escrito o roteiro. Porque ao representar o homem-morcego faz a gente sentir uma saudade de Christian Bale

Entre tantos erros, fica a esperança de que Batman vs Superman não imponha este padrão superficial massa,véio às adaptações da DC Comics. A gente realmente espera algo melhor.

Nota: 4

Bugman é um cara otimista

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