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Nazi American Sniper (e um mini A Gente Vimos)

Má então, nerds desgraçados… Tão ligados no novo filme dirigido por Clint Eastwood e estrelado pelo Bradley Cooper, American Sniper (que estreia só daqui um mês no Brasil), ele retrata a vida real de Chris Kyle, um atirador de Elite dos Seals americanos que teve quatro incursões no Iraque e é tido até hoje como uma lenda, tendo mais de 200 mortes no seu currículo nos 10 anos que esteve de serviço e que morreu bisonhamente em 2012, assassinado por um veterano de guerra amalucado (o qual Kyle ajudava a se readequar à sociedade) num campo de treinamento de tiro…

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Pois bem, o filme apesar de estar cheio de indicações ao Oscar está longe de ser uma unanimidade, por se tratar de uma biografia de um soldado que tinha como missão matar pessoas com um rifle a longa distância, e numa guerra controversa como foi a intervenção americana no Oriente Médio, várias pessoas questionam o teor do filme…

E entre essas pessoas estão alguns famosos de hollywood… o primeiro foi o documentarista Michel Moore, ele teceu alguns comentários no seu twitter, questionando esse caráter mítico e heroico atribuído a Kyle… entre eles ele disse o seguinte:

Snipers são covardes. Eles atiram em você pelas costas. Snipers não tem nada de heroicos.

Outro que também fez sua crítica ao filme foi Seth Rogen, ele disse que o filme lhe lembrou uma propaganda nazista, como aquele filme apresentado no cinema nazista em Bastardos Inglórios:

O que eu acho? Caras, eu vi o filme, e realmente ele soa ufanista, mas temos que ter em mente que é uma história biográfica de um soldado americano, um daqueles caras criados por um pai rígido do Texas que ganha uma arma quando criança e que cresce com uma forte noção daquele patriotismo made in USA.

Dado isso, o filme simplesmente mostra a “realidade” desse lado da moeda, e apesar de usar alguns termos pejorativos (que é de se esperar, afinal está mostrando militares americanos e sua visão de mundo) não discute moralmente a guerra e nem o papel do soldado em nenhum momento…

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Apesar disso o filme não alivia tanto o heroísmo do personagem, mostram inclusive ele matando crianças, mulheres e também como a guerra o afetou a ponto dele não conseguir mais conviver bem com sua família enquanto os EUA estava no Iraque, dando a entender no fim das contas que estava sempre voltando pra guerra por dar valor ao companheirismo com os soldados de sua unidade do que propriamente à sua pátria.

O próprio personagem tinha uma espécie de código de ética que colocava a pátria acima da família, e nos poucos momentos que o filme aborda o caso mostra Kyle como aqueles americanos médios que tem a mesma resposta clichê pra justificar a política intervencionista, o papo de “lutar pela liberdade, salvar pessoas e tals“. Também sobrevoa rapidamente o questionamento moral do papel do Sniper, quando ele se vê obrigado a matar uma criança que carregava uma granada, mas o remorso logo vai embora, e o personagem deixa claro que tem sua consciência limpa (numa cena em que conversa com um psicólogo) pois estava salvando vidas americanas e que está pronto pra acertar as contas com “Deus” por cada morte que provocou.

O filme ainda dá uma romanceada na bagaça, dando importância a um outro sniper, do lado dos inimigos, pra dar uma dinâmica a mais e criar uma tensão na história.

No fim das contas American Sniper é um filme muito bem dirigido, com cenas de ação e guerra bem legais, mas pode ser completamente dispensável quando pensamos em um cinema engajado e questionador.

É um Braddock com grife, e apesar das indicações ao Oscar, é o filme mais fraco (em termos de conteúdo) dos que eu vi até agora que concorrem a estatueta.

Nota 7.62

Sobre Hell

O Hell, este que vos fala.

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