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Marvel não enxerga direitos sobre o Demolidor! – Atualizado DE NOVO!

No último final de semana, uma carta aberta dos herdeiros de um dos pioneiros das HQs, Wally Wood, causou certo barulho na gringa por apontar uns dedos bem feios em direção tanto à Marvel quanto ao Netflix em relação ao seriado do Demolidor – que embora este credite o co-criador Bill Everett além do onipresente Stan Lee, nada diz a respeito de Wood.

O cara foi o responsável por transformar o título do diabão de quase falido para um sucesso de vendas, reestruturando todo o breve cânon do personagem e introduzindo elementos que viriam a ser característicos do mesmo nos anos que se seguiram.

“Não fosse por Wally Wood, o Demolidor teria sido cancelado na sexta edição”
Mark Waid

“É obóvio que Wally Wood merece crédito tanto no Netflix quando em qualquer produto Demolidor na TV ou no cinema. Considerando que ele foi fundamental na iniciativa de desenhar o icônico uniforme vermelho, ele é essencial em qualquer lista de criadores do Demolidor”
Gerry Conway

Assumindo as rédeas da revista ainda em 1964 (já na edição #4), Wood é responsável, dentre outros, pelo uniforme vermelho ao invés do original amarelo, pelo símbolo com as duas letras D entrelaçadas, pela representação gráfica do sentido de radar (aqueles traços circulares saindo da cabeça do cara, saca?), pelos bastões com lançadores de cabos (os billy-clubs), além de repaginar o visual de todos personagens além de criar alguns totalmente novos como o incrível METALÓIDE!

“Eu não consigo imaginar quaisquer circunstâncias morais em que a contribuição dele para o personagem continue sem reconhecimento. A roupa vermelha, o primeiro grupo de inimigos que acabaram compondo grande parte da galeria de vilões do personagem, a representação visual do sentido de radar e tantos outros elementos tão intrínsecos ao personagem e sua franquia são derivados de seu período no título. É algo que não diminui em absoluto Bill Everett e sua contribuição também reconhecer a participação de Wood no desenvolvimento do personagem que conhecemos hoje.”
Howard Chaykin

 

Tá, o Metalóide não foi tão legal hauahua

 

“As contribuições de Wood ao Demolidor, particularmente quanto ao visual do personagem, forram cruciais para o seu sucesso. Mesmo se ele não tivesse tecnicamente “co-criado” o personagem eu acredito que ele merecia um espaço nos créditos junto com Stan Lee e Bill Everett. Ninguém conseguiu até hoje superar o uniforme que ele desenhou 50 anos atrás!”
Roy Thomas, April 17, 2015

Em um ano no título, Wood impulsionou as vendas, transformando a revista de bimestral em mensal, ritmo que só seria alcançado novamente durante o período comandado por Frank Miller, que recuperou vários temas desenvolvidos pelo seu precursor – tendo inclusive prestado uma homenagem ao autor pioneiro nos créditos do primeiro Sin City. Ou seja, até o Miller teve respeito pelo cara, já a Marvel..

“Wood me disse uma vez a razão pela qual ele deixou a editora; é que ele sentia que contribuía demais para as histórias para depois não ser pago como escritor, além da promessa que houve duma participação nos lucros caso sua arte aumentasse as vendas do título… o que aconteceu. Mas ele nunca chegou a receber nenhum dinheiro adicional.”
– Mark Evanier

 


É aquela velha história que todos conhecemos, de como a indústria dos gibis era cruel no início (assim como em qualquer outro grande produto de massa do mesmo período) e de como podemos tentar reparar isso hoje.

“Eu fiquei feliz de ver Bill Everett reconhecido, mas Woody certamente merece o mesmo tratamento.”
Dennis O’Neil

É aguardar que assim como nos casos emblemáticos Kirby vs. Marvel e Siegel/Shuster vs. DC, também tenhamos um desfecho feliz (ainda que naquelas) para esse, e que não termine numa infeliz ironia onde um dos maiores contribuidores para o Demolidor acabe sendo vítima de uma injustiça legal por não ter sua contribuição vista de maneira clara por quem de direito.

“Wood transfigurou o Demolidor de um herói mundano para um combatente superior. Ele colocou o devil no Daredevil trocando a roupa amarelo-açafrão por uma de vermelho satânico. Ele transformou o personagem de um acrobata de circo numa criatura da noite.”
Jim Steranko

———– ATUALIZADO às 16:45 ———–

Pra resumir a pendenga, saiu lá no Cu Sangrando uma imagem exemplificando o caso: dos DOZE nomes de artistas que são mencionados nos créditos do seriado, nenhum deles é “Wally Wood”.

cusangwallywood

——- ATUALIZADO NOVAMENTE ——–

E numa atualização, Mark Waid se pronunciou sobre a carta aberta corrigindo (segundo a sua versão) algumas das declarações dadas. Segundo o autor o suposto apoio que ele teria dado ao texto foi retirado de uma citação sua sem a devida autorização – a mesma queixa também foi feita pelo artista Tony Isabella.

Segundo Waid e Isabella, as declarações – descritas na carta como um “pronunciamento em favor de Wood ser creditado no início de cada episódio” – são apenas citações fora de contexto de opiniões emitidas pelos autores há muito tempo (no caso de Waid há mais de um ano) onde ambos elogiavam os méritos técnicos e contribuições de Wood para a indústria e para o personagem – mas nunca foram um apoio em relações aos direitos.

O autor ainda completa dizendo que embora pense que “ética e criativamente” Wood poderia ganhar algum tipo de crédito ou agradecimento por suas contribuições, seus herdeiros não têm base legal para tanto e que embora também diga que “adoraria que os tribunais o provassem errado” e que “todos os criadores se beneficiariam de um precedente do tipo”, nunca apoiou essa pretensão por parte dos dignatários do espólio do artista.

Por fim, em outra declaração relacionada, Waid ainda comenta que de todas as contribuições de Wood ao herói, praticamente nenhuma delas é efetivamente utilizada no seriado do Netflix, reforçando ainda mais a idéia de que o clamor dos herdeiros é indevido.

A declaração completa de Waid e Isabella (bem como a resposta do dono do espólio de Wood) você confere aqui.

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