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James Gunn mete o pau nos universos compartilhados do cinema

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Acho que não é segredo para ninguém que o sucesso do modelo da Marvel Studios (de fazer filmes que compartilham um mesmo universo e fazem parte de uma narrativa maior) foi uma das melhores notícias que Hollywood já teve, uma vez que cria uma base sólida de expectadores e mantém a máquina girando e os lucros aumentando, em épocas que a TV a cabo e Netflix têm cada vez mais se tornado alternativas competitivas viáveis. Também não é novidade que, por ser um modelo que tem gerado muito lucro para a Marvel/Disney, os outros estúdios estão quebrando a cabeça para fazer esse modelo funcionar com suas franquias, seja elas de super-herói ou não.

Então eis que James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia, solta o verbo no seu Facebook e dá a real:

Olha, eu adoro grandes universos compartilhados em filmes, assim como grandes franquias. Mas ando um pouco preocupado com o número de universos compartilhados sendo planejados pelos estúdios, sem ter uma base sólida a partir do qual crescer – ou, em alguns casos, SEM nenhum filme a partir do qual crescer. Star Wars possui o Star Wars original, o Universo Marvel possui o Homem de Ferro original, a série de filmes do Cavaleiro das Trevas [do Nolan] tinha Batman Begins, e até filmes como Transformers e Crepúsculo – são filmes que as audiências adoram e pedem mais desses personagens – possuem.

Mas hoje em dia os estúdios estão tentando fazer crescer árvores sem uma semente forte. Executivos e produtores e às vezes até diretores estão focados no grande esquema, sem aperfeiçoar a tarefa que está na frente deles – fazer um bom filme. E estúdios estão tentando fazer crescer franquias a partir de filmes não existentes ou sucessos menores. É como se eles não estivesse levando mais os espectadores em consideração. Eu sei que George Lucas, Kevin Feige, John Favreau, etc, possuíam ideias sobre para onde potencialmente levar seus filmes, caso fizessem sucesso. Mas eu não acho que que isso se colocou na frente de fazer um primeiro filme como se fosse o último, de fazê-lo algo sensacional que as pessoas pudessem adorar, independente se levasse para outros filmes ou não.

Resumindo, acho que esse novo modelo de negócio é falho. Acredito que os cineastas e estúdios devem estar preparados para o grande esquema, mas nunca deixar que ele fique no caminho de fazer um único grande filme. Sejam um pouco mais experimentais e vejam se funciona, ao invés de tentar e forçar o sucesso. E, mais importante, lembrem-se que nós, como indústria existimos para servir às audiências, para nos comunicar com eles – eles possuem uma voz no que criamos também. Não estamos aqui para ditar o que eles querem ver, principalmente por que isso simplesmente não é possível.

Bem, apesar dele estar generalizando sua opinião, aposto que ele ficou bolado mesmo (como bom fã de terror) foi com o anúncio da Universal de que iria fazer um universo compartilhado dos seus Monstros, mas ao invés de terror, iria fazer mais voltado para o gênero ação/aventura. E, neste ponto (também como um bom fã de terror), eu amaldiçoo a Universal até a morte por isso.

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Mas, por outro lado, Gunn também exagera um pouco quando fala da Marvel, talvez por ter tido uma experiência onde pôde fazer um filme bastante independente da “cronologia” direta dos filmes (o que não foi o caso de outros diretores, como Kenneth Branagh). Mas vale lembrar que, mesmo Homem de Ferro e Hulk tendo sido relativamente independentes, Thor e Capitão América não foram mais do que pontes para o filme dos Vingadores.

É claro que não dá para comparar o que a Marvel está fazendo com o que os outros estúdios querem fazer: A Marvel Studios está apenas copiando um modelo que sempre foi sucesso nos quadrinhos com os mesmos personagens. É bem diferente de forçar um universo compartilhado anteriormente inexistente ou mudando suas características originais (como a Universal quer fazer) ou forçar filmes de personagens aleatórios (Sexteto sinistro, cof, cof) apenas para espremer o que dá da única franquia que se tem.

Talvez tenha sido esse o motivo pelo qual a Warner não anunciou o cronograma de filmes da DC com a mesma pompa e circunstância que a Marvel anunciou sua Fase 3: simplesmente por que eles não podem dizer com certeza que esse modelo vai funcionar com eles. Dependerá de como Batman v Superman, e principalmente do Esquadrão Suicida (não só por ser o filme seguinte, mas por ser o primeiro filme passado nesse universo que tentará funcionar por conta própria sem o Batman ou o Superman) serão recebidos pelo público para ver se vale a pena seguir com o modelo.

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E por último, mas não menos importante, vale lembrar o por que a Marvel seguiu com esse modelo em primeiro lugar (mesmo com o sucesso meia boca do Hulk): Por que eles não tinham outra opção. Se eles não lançassem filmes até os Vingadores, a empresa, que era independente até então (vale lembrar que a Disney só comprou a Marvel na época do filme da equipe), simplesmente iria fechar. Felizmente, o modelo acabou funcionando.

Com um estúdio como a Warner, se um dos filmes der errado, eles podem simplesmente puxar o freio, como fizeram tantas outras vezes, pois não são obrigados a seguir em frente (já que a Warner não é tão dependente dos filmes da DC como a Marvel era na época dos seus filmes de super-herói – era a única coisa que tinham, afinal de contas). Acho que esse é o principal ponto que muitos estúdios falham em entender em relação ao “modelo Marvel”, e é onde eu concordo plenamente com o James Gunn: querer fazer um universo compartilhado achando que essa característica por si só é uma fórmula de sucesso, é um verdadeiro tiro no pé.

Sobre Algures

Oi, meu nome é Algures e eu tenho 38 anos (teria se estivesse vivo). Compartilhe esse post com 20 pessoas e minha alma estará sendo salva por você e pelos outros 20 que receberão. Caso não repasse essa postagem, vou visitar-lhe hoje à noite. Dia 15 de Julho, Bugman resolveu rir desse post, uma noite depois ele sumiu sem deixar vestígios. O mesmo aconteceu com Triplo dia 18 de Outubro. Não quebre essa corrente, por favor, a não ser que queira sentir a minha presença (atrás de você).

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