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Homem-Aranha: Potestade


Potestade; do Latim potestate; significados: poder, potência, força; divindade, poder supremo; aquele que tem grande autoridade ou poder, potentado. No plural significa: os anjos da sexta hierarquia ou do sexto coro. Potestades celestes: Deus, os anjos e os santos. Potestades infernais: os demônios.
É esse nome complicado e feio foneticamente que a Panini escolheu para nomear Spider-Man: Reign, de Kaare Andrews.
Mas por que uma resenha depois de tanto tempo depois do seu lançamento? Por que esqueci? Por que li faz pouco tempo? Er… sim, por esses motivos também, mas porque não tem como não falar de Homem-Aranha: Potestade sem entrar em detalhes. Por isso, estão avisados que esse review tem SPOILERS (e muito)!

A primeira coisa que tenho que responder a vocês é se ela é a versão aracnídea de O Cavaleiro das Trevas. E é sim, é até mais do que isso! É uma cópia! Uma cópia escarrada e descarada de uma das mais consagradas histórias do Batman.
A trama básica é a mesma (um futuro em que os super-heróis foram banidos, o idoso mascarado retorna em busca de liberdade), o estilo de quadrinização é o mesmo (os quadros retangulares, os pin-ups de uma única página e até nos quadros televisionados para explicar ao leitor o que ocorre), o traço é o mesmo e até existe uma sidekick também!
Com isso, não há o que contestar! É fato que Homem-Aranha: Potestade é uma imitação de O Cavaleiro das Trevas, a ponto de a DC poder processá-la para reformar o banheiro do Dan Didio. A HQ é ruim por causa disso? Aí sim, há muito a se discutir!
A realidade é que esse gibi é polêmico! Ele quer polemizar a cada página! A sua intenção é ser “ame-o ou deixe-o”! Os motivos são vários, e tentarei citar a maioria.

Vamos lá, primeiro os pontos negativos… Por que o Homem-Aranha? Sério! Por que ele? Tudo bem, não é difícil em meio à Guerra Civil imaginar um Universo Marvel futurista em que os super-heróis são considerados criminosos. Mas diferente do Batman (que apesar de humano, é o Batman!), o Homem-Aranha é… o Homem-Aranha! Faria mais sentido um Capitão América ou um Homem de Ferro em seu lugar! Tudo bem que o Homem-Aranha é o personagem mais popular da editora (assim como o Homem-Morcego é o da DC), mas uma história assim, sendo Nova Iorque a cidade dos meta-humanos, fica difícil de colar.
Outro problema é que a HQ é confusa! Extremamente confusa (ou má escrita mesmo)! Se você leu como a maioria dos gibis que lê, mastigadinho, leu os balões e pronto, possivelmente detestou a história! Eu tive que ficar teorizando para poder tentar entende-la.
Vamos a algumas dessas coisas mal explicadas: como J.J. Jameson continua vivo? Se ele já era velho quando o protagonista era um adolescente, imagina agora que é um sexagenário caduco? O cara tem quantos anos? Todos?!
Se Homem-Aranha está acabadaço com a idade, como consegue entrar em forma em segundos só de colocar a máscara? Eu imaginei que a máscara (e posteriormente o uniforme) eram simbiontes alienígenas, mas ao longo do gibi vi que não era essa a razão. Então qual é?

Os delírios do Homem-Aranha são outra confusão só. Na primeira delas, Peter relembra quando matou um assassino qualquer. Porém o Aranha nunca matou ninguém, e mesmo que se pense que ele passou a matar após a morte da MJ, ele estava com o uniforme que parou de usar quando ela morreu. Então qual seu significado? Mostrar que por causa dele começou a lei contra os super-heróis? Mostrar que o Aranha também tem um lado sádico?
O Sexteto Sinistro toma banho de formol? Afinal, os integrantes são mais velhos que o Aranha, mas na trama eles estavam quase como no Universo tradicional. Até faz sentido o Homem-Areia continuar na mesma por causa do seu poder, mas para o Escorpião, por exemplo, não faz! E detalhe que o Kraven e o Mysterio morreram há muito tempo já!
Como o Homem-Areia foi “promovido” no meio da HQ? Antes ele ficava junto com o resto do sexteto, mas no final ele era líder da Potestade! Para quê? Só para ter a sua redenção?
E o último (e maior) defeito da HQ é o motivo do vilão-mor ter executado seu plano maligno! Ele acabou com os super-heróis e dominou a cidade só porque foi abandonado pelo mocinho! Mas Hein?! Que diabos foi isso?! Amor platônico?!
Mas não foram os enormes furos de roteiro ou a justificativa que lembrou (e muito) o roteiro de Tim Burton para o filme Superman (lembram disso?) que irritou os leitores americanos, e sim as suas inúmeras polêmicas (e lá vou usar essa palavra de novo). Entre algumas tempestades em copo d’água, como mostrarem o piruzinho do Aranha no melhor estilo Turma da Mônica, com certeza o mais pesado foi o fato de que Mary Jane morrer devido ao seu contato com o esperma radioativo do seu marido. Aí entramos mais uma vez na questão do “ame-o ou deixe-o”. Teve MdMs que acharam a idéia horrível e outros que gostaram.

E o que eu achei? Bem, não vou negar que não gostaria de ver esse desfecho em qualquer outra história, principalmente no Universo tradicional, porém nessa eu achei pertinente. O sofrimento dele em relação a sua mulher é tão agonizante que saber que ela morreu devido ao fato dele amá-la (desculpem o romantismo) é arrasador!
E é com isso que quero falar dos pontos positivos que não te deixam muito felizes. Afinal, mais do que um super-herói idoso voltando à ativa, é um drama que aborda o amor pós-morte.
A verdade é que ver a capa do Peter Parker chorando e abraçando o túmulo da Mary Jane me atingiu! Eu precisava pagar pra ver (literalmente se não fosse o fato que foi um presente) o que essa capa queria mostrar e nessa questão eu não me arrependo de tê-la lido! Em todos os momentos em que o personagem lembra, pensa ou conversa (?!) com ela, Kaare Andrews consegue se sobressair no meio de tantos clichês e mostrar o quanto é triste a solidão e a saudade.

O gibi tem outra qualidade? Não, não tem! Fica nisso! E aí eu volto (pela terceira vez) ao “ame-o ou deixe-o”. Ou você vai ignorar tudo de ruim devidos aos breves brilhos, ou nem vai perceber as poucas coisas boas da história devido aos seus problemas.
Eu gostei. Gostei mesmo! Li o mais rápido possível em um dia em que a minha namorada estava doente. Talvez por estar nessa situação, eu me identifiquei com ela. Possivelmente se a tivesse lido em outra ocasião, não acharia que ela tivesse todo esse mérito que acho que tem no momento.
E o grande erro da edição nacional (além do seu péssimo título e do tremendo spoiler na contra-capa) foi o lançamento em uma única edição de 156 páginas, ainda mais em papel LWC. Ninguém aqui (tirando o Hell) tem R$ 17,90 para estourar em uma HQ no escuro. Por isso, apesar de sim, ter gostado dela, eu não recomendo. Afinal, você quer arriscar essa grana toda para ser mais um do “deixe-o”? Melhor não!
Nota 7,5

Sobre Bugman

Grant Morrison nos salvará.

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