Heróis de BrinquedoParte II

Finalmente! Após uma demora significativa, aqui está a terceira parte de nosso estudo sobre o impacto dos bonecos de heróis no Brasil. Mais uma vez contei com a ajuda do Eder Pegoraro, do Galeria dos Brinquedos, que mais uma vez enriqueceu o conteúdo com seu conhecimento. Obrigadão, Eder! E semana que vem, nosso pequeno estudo será concluído. Aguardem!

ANOS 90: A ERA DE OURO


Alguns bonecos da linha “Fantastic Four” dos anos 90

Conforme já havíamos dito, bem no início dos anos 90, foi uma época triste para os bonecos da nossa indústria nacional. Em qualquer loja popular que adentrássemos (Lojas Americanas, Lojas Brasileiras, DB Brinquedos) encontraríamos apenas S.O.S. Comandos, Rambo (não o da Glasslite, mas uma nova linha de bonecos, feita nos moldes dos S.O.S. Comandos pela Gulliver) e uns bonecos de “Ninjas” feitos em um plástico muito vagabundo. Havia também a linha TV Toys da Glasslite, eram bonecos inspirados nos super-heróis japoneses dos seriados da extinta Rede Manchete, tais como Cyber Cop, Jiban, Jiraya, Jaspion e afins; bastante populares entre a criançada da época.

Os demais bonecos, pertencentes às coleções que eram sensação lá fora, eram encontrados muito ocasionalmente, importados e em pequenas quantidades, em algumas lojas de brinquedos, na maioria em Shoppings Centers, a preços absurdamente caros. E para piorar a situação, não havia um critério de tabelamento de preços. Algumas lojas vendiam bonecos por um preço X, enquanto que outras vendiam o mesmo boneco por um preço três vezes mais caro. Elas tinham toda a liberdade para “escalpelar” as pessoas.
Tal situação melhorou e muito com o início do plano Real, em 1994. Nossa moeda superou o dólar e o governo liberou as importações. Entramos na era de ouro dos bonecos no Brasil. Coleções como X-Men, Spiderman (Homem-Aranha), Batman: The Animated Series, Iron Man (Homem de Ferro)e Fantastic Four (Quarteto Fantástico) invadiram as lojas, para o fascínio dos colecionadores. Nessa época também surgiu a McFarlane Toys com sua linha de bonecos do Spawn. Embora a linha de bonecos tenha chegado no Brasil antes do gibi, a coleção causou um certo impacto nos colecionadores. Outra coleção que fez (e muito) sensação entre a garotada foram os Cavaleiros do Zodíaco. Confiram logo abaixo um capítulo que destinei somente a eles.
O que assustou um pouco no início dessa onda de bonecos foi o preço. Estávamos habituados a comprar bonecos produzidos em território nacional (a preços tão baratos que até papelarias os vendiam), e quando chegaram os importados, custando, há dez anos atrás, preços entre R$20 e R$35 reais, o choque foi significativo. Ainda assim, o preço melhorou muito em relação ao que era quando não havia ainda essa política de importação. Antes de tal mudança, as lojas de importados vendiam uma figura da série Batman: O Desenho da TV à R$47 reais, e com essa política de importação (associada às facilidades de distribuição que surgiram) esses mesmos bonequinhos passaram a custar, em média, R$20 reais. Era inegável que, de uma forma ou de outra, colecionar bonecos importados não eram mais privilégio de poucos que podiam pagar as fortunas que os mesmos custavam anteriormente.
A Estrela inicialmente tinha a distribuição da Kenner (hoje Hasbro) e Toy Biz, monopolizando o mercado de figuras de heróis importadas, a Estrela trouxe as coleções Batman Animated (Kenner) e X-Men (Toy Biz). Posteriormente a Gulliver pegou a distribuição da Toy Biz. Quem mais ganhou com esse fato foram os consumidores, pois com isso se criou uma saudável concorrência entre as duas empresas. A Gulliver passou a trazer outras séries que a Estrela havia inicialmente negligenciado como Fantastic Four, Iron Man, Spiderman além de novas séries das figuras dos X-Men. A Estrela, por sua vez, além de continuar trazendo diversas séries do Batman, também passou a trazer outras séries da Kenner, como Star Wars e Superman Animated.
As figuras da McFarlane Toys, inicialmente distribuída pela Gulliver no Brasil, não paravam de evoluir. O nível de detalhamento deles se superava a cada nova leva. Passou a existir o conceito de figura de coleção. Diferente das figuras de ação (que são mais voltadas para o público infantil), as figuras de coleção são bonecos mais caros e mais detalhados, destinados a um público mais adulto. Embora sejam articulados e venham acompanhados de acessórios, as figuras de coleção não são feitas exatamente para se brincar e sim, como diz o nome, colecionar, mais precisamente para decorar as estantes dos marmanjos, como verdadeiras estátuas articuladas, para muitos, obras de arte.
Os bonecos foram, aos poucos, deixando de ser coisa de criança e passaram a ser também um hobby para adultos. E hoje em dia, a impressão que se tem é que há mais adultos colecionando bonecos do que crianças.

Alguns bonecos da coleção Marvel Legends

Existem nos dias de hoje, coleções e mais coleções de bonecos. Na área das figuras de coleção, temos a McFarlane Toys, que sempre aparece com bonecos de cantores famosos ou personagens de filmes de sucesso, enquanto que a Marvel faz sensação com a aclamada coleção Marvel Legends e a DC Comics com a série DC Direct (apenas disponível no Brasil por importação de forma privada). Há também uma série da Toy Biz chamada Marvel Select, voltada especificamente para o público colecionador, essa série infelizmente também (até o momento) não está sendo trazida para o Brasil pela Gulliver, que distribui as figuras da Toy Biz até os dias de hoje.
As figuras de ação, embora sejam inicialmente elaboradas para um público mais infantil, também possui um nível de detalhamento impecável, o que possibilita também colecioná-las sem problemas. Temos a Marvel /Toy Biz (Gulliver), com as coleções X-Men e Homem-Aranha, e a DC/Mattel com os bonecos da série Batman e Liga da Justiça Animated.
Há também figuras baseadas em filmes como Homem Aranha, Hulk, X-Men, Senhor dos Anéis, todas da Toy Biz, que utilizam uma técnica de scanneamento dos rostos dos atores, dando um realismo fantástico às figuras.
CAVALEIROS DO ZODÍACO


Escolhi falar destes bonecos em um tópico à parte por causa da repercussão que tiveram por aqui. O desenho Cavaleiros do Zodíaco foi exibido pela primeira vez no Brasil em 1994, na extinta Rede Manchete, e de cara teve uma ótima audiência. Em pouquíssimo tempo virou uma febre; era quase impossível existir uma criança que não assistisse Cavaleiros do Zodíaco. Inclusive, foi em cima deles que a revista Herói da editora Conrad inicialmente galgou seu sucesso.
Os bonecos de Seiya e companhia foram lançados quase que simultaneamente ao desenho animado e muito chamaram nossa atenção; pois eram algo totalmente diferente daquilo que estávamos acostumados a ver. Eram bonecos repletos de pontos de articulação (algo então muito raro de existir) e que vinham acompanhados por uma armadura de metal genuíno, cujas partes eram encaixáveis em orifícios encontrados pelo corpo do boneco (olha o pensamento maldoso, galera!). Ficavam muito bacanas com as armaduras vestidas. Aliás, alguém conseguia brincar decentemente com aqueles bonecos quando eles estavam vestindo suas armaduras? Comigo era assim…
– Cólera do Dragão! Tome este soco, Seiya! Ih, merda… Caiu a ombreira e a joelheira do Shiryu. Pronto, encaixei. Agora vou pular! Há! Porra! Agora foi a tiara dele que caiu…
Mesmo assim eram muito maneiros. E apesar do preço alto (inicialmente, custavam cerca de R$55 reais. Um ano depois já era possível encontrá-los a R$25 reais), esgotavam-se nas lojas com muita facilidade, dada sua altíssima demanda. Os filhos só queriam saber de Cavaleiros do Zodíaco. Era somente isso que pediam aos pais.
A mania durou quase dois anos. Após isso, depois de ficar quase dez anos de fora das prateleiras, os bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco voltaram às prateleiras das lojas, onde se encontram até hoje. É possívle encontrá-los na versão clássica com armadura metálica desmontável ou em novas versões, tais como a produzida pela Long Jump, que traz Seiya e companhia em versões com menos pontos de articulações e com a armadura embutida. Ainda assim, o impacto nos dias de hoje não chegou nem perto do impacto que causou no meio dos anos 90.
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