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A Gente Vimos: Preacher Ep01

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Pois então, nerds malditos… Desde que anunciaram que a série de quadrinhos Preacher, de Garth Ennis e Steve Dillon ia virar série de TV tememos pela execução da bagaça, afinal a HQ é cheia de gore, violência, cinismo, depravações e temas espinhudos como problemas morais, preconceitos, crueldade, tretas familiares and RELIGIÃO! Estávamos quase certos que isso tudo, migrando pra TV, seria suavizado de tal forma que poderia perder a essência que fez de Preacher um quadrinho diferenciado.

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Então saiu o primeiro episódio da série (que tem produção e direção de Seth Rogen e Evan Goldberg) e o que podemos concluir das nossas dúvidas? Acho que nada muito claro, POR ENQUANTO… Digamos que em essência muito da HQ está lá na telinha, a estrutura básica é bem similar, mas a forma que é apresentada é deveras diferente… Não que isso seja ruim, afinal é uma adaptação pra uma outra mídia, pra um público mais abrangente então concessões devem ser feitas.

A história mostra “algo” singrando o espaço e chegando á terra, possuindo pastores ao redor do mundo e matando-os de forma contundente… Ao contrário da HQ onde temos o plot dos anjos explicando nitidamente a todo momento o que está acontecendo, a série não faz isso (até tem dois personagens misteriosos que aparecem de relance algumas vezes que eu suponho que possam ser os anjos), o que para o público civil que não conhece a HQ possa ser um problema pro entendimento geral da trama.

Vi a série com pessoas que não conheciam a HQ e a todo momento perguntavam o que era aquilo, o que estava acontecendo e tals… Então acho que nesse aspecto a série tenha um pequeno problema, se o clima de mistério foi adotado pra dar mais peso e prender a atenção das pessoas à trama, se perguntando o que é aquilo que possuiu o Pastor Jesse e o fez ter o poder de fazer as pessoas obedecerem literalmente o que ele diz, acho que seria bom deixar isso mais claro para que não acabe gerando desinteresse do público por não entender alguns aspectos básicos da história ao invés de criar expectativa.

Mas se por um lado a contextualização da trama carece de alguns ajustes, a dos personagens ficou até melhor que na HQ, temos vislumbres bem claros da personalidade e habilidades da trinca de protagonistas da série, Cassidy numa cena de ação dentro de um avião com um final inusitado e pastelão… Tulipa numa cena de ação numa fazenda onde ela é mostrada como uma espécie de McGyver assassina com um desfecho que nos fz questionar a verosimilhança da série e Jesse Custer que tem todo um desenrolar mostrando sua descrença, falta de ânimo e depressão com sua vida e a dos seus congregados, mas ainda assim tendo ímpeto pra tentar fazer a diferença, promover a melhoria da vida das pessoas, mesmo que pra isso tenha que quebrar uns ossos de uns gaiatos numa briga de bar.

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Não há aquelas coincidências convenientes demais no encontro dos personagens, como ha HQ, onde eles simplesmente se trombam na história, aqui eles tem um ciclo, são mostrados fazendo algo, indo a algum lugar e se encontrando, mesmo que por coincidência também, de um jeito mais contextualizado e crível.

Apesar de ter gostado da apresentação dos personagens, senti falta daquele ar de derrota que a HQ tem, Tulipa, Cassidy e Jesse são “fodões” demais na série, Jesse mesmo, ao contrário de ser o pastor babaca que apanha no bar na HQ por jogar na cara de todo mundo os lixos humanos que são, aqui é um cara mais bem intencionado (e melhor lutador também)… talvez seja uma estratégia pra que o público tenha mais empatia por eles…

Falando em estratégia, o personagem do Xerife Root também foi bastante mudado, foi humanizado, muito diferente do cara insensível da HQ, aqui ele, apesar de ser mostrado como alguém indiferente para algumas questões morais, ainda se mostra preocupado com seu filho, o Cara-de-Cu… Retratado como o garoto ingênuo e puro da HQ, mas aqui ele é “amigo” de Jesse e eles conversam sobre o papel de Deus e outras coisas, tirando um pouco aquele sentimento de pena que nos dá quando o vemos na HQ, sendo subestimado e tratado como se não tivesse importância nenhuma por todos.

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Uma das coisas que me deixou um pouco incomodado na série é que ela não é muito orgânica, o ritmo muda a cada 10 minutos, deixando a coisa meio sem unidade, como se estivessem experimentando várias linguagens pra ver qual delas se adequa melhor á série, se na HQ tínhamos sempre um clima pesado permeado por piadas cretinas e críticas mordazes, a série ainda não tem um clima definido, passa do sério ao pastelão (não só no texto, mas na edição também) em segundos.

No fim das contas, o balanço geral é positivo, não foi algo memorável, mas a série parece ser promissora, visualmente bacana, trilha sonora foda (Johnny Cash, Willie Nelson) e temos a essência da HQ ali, adaptada de um modo diferente (que deve gerar muita reclamação dos puristas), mas que mantém a essência conceitual da obra original, a história está mais diluída e dando mais voltas, o nos dá a impressão de que querem ganhar tempo ao apresentar a trama (que na HQ é apresentada já de cara) certamente apostando que a série será um sucesso e com isso tenhamos argumento pra esticar o número de temporadas explorando esses outros aspectos, mas espero que tenham cuidado pra não enrolar demais as coisas.

Nota: 7,666

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