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Dia do Quadrinho Nacional: um breve balanço do momento atual

Hoje é o Dia do Quadrinho Nacional (não confunda com Dia Nacional dos Quadrinhos) e é sempre bom celebrar a data de alguma maneira, de preferência comprando e dando quadrinhos nacionais de presente.

Muita água rolou desde as primeiras histórias em quadrinhos publicadas no Brasil e muita gente diz que estamos no melhor momento das HQs no país. Mas é claro que tudo tem seu lado positivo e seu lado negativo e, enquanto o momento atual é propício ao crescimento dos quadrinhos, muitos problemas se seguem a essa evolução.

Por isso, ao invés de fazer um post de recomendações, resolvemos dar nossas impressões sobre o que está bom e o que está ruim no mercado atual. Confira os pontos positivos e negativos dos quadrinhos nacionais de hoje, pelos integrantes do MdM que importam (e o Lojinha):

Ponto(s) Positivo(s): Variedade e identidade: Hoje temos quadrinhos nacionais de todos os tipos, pra todos os gostos, e mesmo assim o Brasil conseguiu algo que há alguns anos não tinha, que é uma identidade. Apesar de transitar em gêneros abordados por outras escolas “quadrinísticas” o quadrinho nacional agora tem uma cara própria, não tem mais aquele véu de “HQ copiada da gringa”, muito por esforço dos autores que resolveram partir pra projetos próprios autorais sem ficar presos nas amarras do “comercialmente viável”.
Ponto(s) Negativo(s): Visibilidade e “Panelas”: Apesar de variado o alcance da produção de quadrinhos nacional ainda é ínfimo, os projetos autorais ficam ali entre os seus apoiadores (que geralmente já conhecem o trabalho) e poucos leitores novos acabam colocando os olhos no material… Soma-se a isso as eventuais “panelas” que acabam se formando e hermetizando ainda mais esse alcance das obras, que por fim acabam sendo produzidas mesmo só pros “chégas”.

Ponto Positivo: Qualidade. Do independente ao profissa, nunca vi uma fase tão rica no quadrinho nacional como a que temos agora. Vários artistas fazendo um trabalho de qualidade que muitas vezes é superior ao material encontrado lá fora.
Ponto negativo: A panelinha. Não só faz uma barreira de entrada forte para gente que é de fora como também forma o famoso “mercado auto suficiente do Catarse”, onde os mesmos autores apoiam os mesmos projetos e consomem os mesmos quadrinhos.

Ponto positivo: Acesso. Se ainda não é perfeito, melhorou bastante. Mais opções de lojas online, os serviços “Netflix de quadrinhos” que surgiram recentemente, autores com suas próprias lojas (individuais ou coletivas), opção de compra em financiamento coletivo, mais eventos de HQ espalhados pelo país com autores vendendo diretamente seus gibis.
Ponto negativo: Divulgação. Mesmo com a variedade de opções por aí, se a HQ nacional não está ligada à MSP ela dificilmente vai conseguir uma boa divulgação. Autores não sabem (ou não possuem os meios para) promover seu trabalho, veículos (incluindo o MdM) não vão atrás das novidades, eventos de quadrinhos (embora crescentes em número) não destacam obras nacionais.

Ponto Positivo: Não dá pra negar a variabilidade de temas e abordagens possíveis no quadrinho brasileiro, sobretudo o independente. Dá pra falar de pós-vida com ação, de relacionamentos (NÃO DIGA!), de aventuras infantis no espaço… Sem a amarra de uma major, os artistas têm mais liberdade pra pirarem o cabeção.
Ponto negativo: A distribuição. Caralho, a distribuição de HQB ainda é uma merda fodida! Tem coisa foda saindo, não só de gente começando, mas de geral mais consagrada, que você vai ter que suar muito a bunda pra conseguir. Resultado: muita, mas muita coisa boa mesmo passa batida.

Ponto Positivo: Custo – Digo isso porque hoje é muito mais fácil (e até barato) você bancar sua própria hq. Não dependemos (tanto) de editoras e distribuições, podemos usar as redes socias, sites de pagamento e a ineficiência do correio (rs) para atingir o seu público. Além dos sites de financiamento e apoios culturais que viabilizam os quadrinhos BR
Ponto Negativo: Autores – saber lidar com críticas, saber editar a revista, saber seus limites, saber lidar com o público. Infelizmente, o autor nacional ainda tem um ar de prepotência que desanima a aquisição de novas obras…

Ponto positivo: Identidade. Essa nova “onda” de quadrinhos nacionais pra mim tem a grande vantagem de ter deixado de fazer cópias de quadrinhos americanos ou japoneses e de realmente tentar fazer algo autêntico. Isso se reflete na grande maioria dos materiais que são produzidos hoje por aqui, que são bastante variados. Hoje dá para dizer que os autores nacionais estão amadurecidos o bastante, conhecem e estudam sobre roteiro, técnicas, narrativa, etc. Material bom por aí é o que não falta.
Ponto Negativo: A mídia/imprensa. Seja a mídia de massa que só divulga o que já é popular, ou a mídia “especializada” (que não é nada especializada), que fala bem dos quadrinhos dos amigos e evita fazer críticas construtivas por medo de magoar os sentimentos do autor, nós ainda estamos muito longe de uma mídia de quadrinhos madura e que seja uma aliada do leitor, não só na análise objetiva (não confunda objetividade com imparcialidade), mas também na divulgação de bons materiais que sejam mais desconhecidos.

Ponto positivo: Está muito mais fácil e acessível publicar seu quadrinho autoral. A procura por produções nacionais têm aumentado, mudando o perfil do mercado.
Ponto negativo: Não há incentivo ou apoio de editoras grandes que atuam no mercado nacional. Existe uma guerra de egos entre muitos autores, o que acaba fazendo com que aqueles que querem crescer sejam vistos com maus olhos.

Ponto positivo: Consolidação. Não dependemos mais de sucessos esparsos para fomentar a indústria nacional de quadrinhos. Hoje já temos um calendário contínuo de lançamentos variados para manter o mercado aquecido e independente, com material forte e de qualidade para que sempre apareça algo para as diferentes parcelas do público.
Ponto negativo: Críticas. As críticas no mercado nacional de quadrinhos ainda sofrem para se diferenciar do “elogia só porque é brasileiro” e “é ruim porque é brasileiro”, além de faltar uma análise mais profunda que os quadrinhos americanos e europeus já possuem há décadas. Já é hora de uma visão mais aprofundada e que faça críticas construtivas nos projetos culturais tupiniquins.

Sobre Algures

Oi, meu nome é Algures e eu tenho 35 anos (ou teria, se estivesse vivo). Compartilhe esse post com 20 pessoas e minha alma estará sendo salva por você e pelos outros 20 que receberão. Caso não repasse essa postagem, vou visitar-lhe hoje à noite. Dia 15 de Julho, José resolveu rir desse post, uma noite depois ele sumiu sem deixar vestígios. O mesmo aconteceu com Maria dia 18 de Outubro. Não quebre essa corrente, por favor, a não ser que queira sentir a minha presença (atrás de você).

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