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As adaptações de games para o cinema mais fiéis que você não viu.

Toda vez que pessoas vão falar de adaptações de jogos de videogame para o cinema, seja em posts, videos ou podcasts, tem uma coisa que me incomoda fortemente: As pessoas sempre citam os mesmos filmes, geralmente colocando Silent Hill (que é um filme que começa muito bem, mas tem um terceiro ato fraco) como melhor adaptação, ignorando completamente duas das adaptações de videogames mais fiéis já feitas. Para remediar a situação, o titio Maximus vai ajudar vocês a conhecê-las (se você já conhece, não precisa ir lá nos comentários postar “Ain Maximus burro todo mundo conhece esses filmes” só para pagar de Hipster fodão conhecedor de tudo).

Os dois filmes que irei citar podem ser relativamente desconhecidos por uma miríade de razões: Ambos são filmes japoneses, o que já dá uma entrada muito menor nos mercados ocidentais. Ambos são adaptações de franquias que fazem mais sucesso entre os japoneses do que os ocidentais. Ambos são dirigidos por um diretor que, apesar de famoso no ocidente, produz tantos filmes por ano que muito das suas obras nunca são lançadas por aqui.

Takashi Miike

Takashi Miike é um diretor estranho. Não apenas porque boa parte dos filmes que ele faz sejam muito, mas muito bizarros, como por exemplo Visitor Q, A Felicidade dos Katakuris, Izo, Gozu, Ichi the Killer ou uma porrada de outros, mas também por sua versatilidade. Ele não fica preso somente aos filmes de Yakuza ou bizarros que o fizeram famoso do ocidente, também fazendo filmes dos mais variados gêneros, como filmes clássicos de samurai (recentemente foram lançados no ocidente Hara-Kiri e 13 Assassinos), terror tradicional (One Missed Call, que é um filme que só existe porque ele viu Ringu (O Chamado Japonês) e falou “hey, quero fazer um desses”), a até mesmo adaptações de Mangás para o público adolescente como Crows Zero (que tem porradarias foda), Yatterman e MPD Psycho. Além disto, ele é um dos diretores mais prolixos do mundo, fazendo no mínimo dois filmes por ano desde 91 (esse puto tem quase 100 créditos como diretor no IMDB). Mas, mais importante (para esse post), ele também dirigiu as duas adaptações de videogame mais fiéis que eu já vi.

Phoenix Wright:Ace Attorney (Gyakuten Saiban)

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Este é o filme que vocês tem mais chance de conhecer. Para quem não conhece, a série Ace Attorney é composta por vários jogos onde o personagem principal é um advogado de defesa em um sistema jurídico que dá a faca e o queijo para os promotores. A parte importante do jogo se passa durante o julgamento, onde você deve interrogar as testemunhas e coletar e mostrar evidências que contradigam seus testemunhos para provar que elas estão mentindo. Se você quiser entender melhor o conceito e ver mais, tem jogos da série para GBA,DS, 3DS e também para iPad/iPhone, com o primeiro caso gratuÍto para você ver qualé antes de comprar o jogo completo (ou você pode testar o caso “tutorial” do quarto jogo da franquia neste link).

Quando anunciaram esse filme, fiquei meio perplexo por conhecer o trabalho do Miike mais pela parte violenta/bizarra da sua filmografia, enquanto o jogo, apesar de tratar de assassinatos, tem uma pegada muito mais leve e cartunesca. Contudo, o que me chamou mais a atenção ao ver o primeiro trailer do filme foi a fidelidade visual: O filme é idêntico ao jogo, que possui um visual bastante caricato, especialmente nos personagens. Incrível como, apesar de todos os atores estarem basicamente vestindo cosplays o tempo todo, ele consegue passar naturalidade em suas cenas.

O filme adapta fielmente o primeiro jogo da série, mostrando todos os casos da linha principal da história exatamente da forma que ocorrem no jogo. Para quem jogou, é uma ótima experiência rever toda a bizarrice do jogo em live-action. Contudo, a experiência pode não ser tão boa para quem não jogou: A grande graça do jogo é que você tem que solucionar o caso na sua cabeça para conseguir desmentir as testemunhas. É um jogo que te faz se sentir “o Intelijentão” cada vez que você tem um momento Eureka! enquanto joga, e isto é (obviamente) perdido na adaptação a uma mídia mais passiva como o cinema.

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Se você gosta da série de jogos, você não pode perder essa adaptação. Se não conhece, vá jogá-los antes pois eles valem muito a pena. Se conhece mas não gosta, o que há de errado com você?

PS: Existe também um jogo do Homem-Pássaro nos mesmos moldes da série Ace Attorney para Wii. Apesar de ser absurdamente curto, vale dar uma olhada pois é bem engraçado.

Yakuza (Like a Dragon – Ryu ga Gotoku)

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Esta adaptação, apesar de mais antiga, é mais obscura no ocidente. Um motivo pode ser porque ela acaba sendo vista como mais um filme de Yakuzas do Takashi Miike (vai por mim, ele faz muitos). Além disso, por alguma razão, o filme foi lançado no ocidente com um nome diferente do da série de jogos no qual ele foi baseado (os jogos são conhecidos como simplesmente Yakuza, enquanto o filme foi lançado como Like a Dragon)

A série de jogos Yakuza é conhecida por duas coisas: Primeiro, a porradaria desenfreada e sem limites. Segundo, pelas bizarrices e japonesices metidas a engraçadinhas no meio. Nesse sentido, é fácil dizer que escolheram perfeitamente o diretor para esse filme, já que Yakuzas, porradarias e bizarrices nipônicas são especialidade do diretor.

O filme adapta muito bem (até onde eu lembro) a história do primeiro jogo da série, com os atores lembrando muito suas contrapartes videogamísticas, e as brigas lembrando o estilo do jogo (menos Kung-Fu, mais porradaria de alto impacto, com uma violência mais pesada). Além disso, só pela zoeira, em alguns momentos temos auras aparecendo nos personagens da mesma forma que no jogo, em um momento meio Bruce Leeroy.

Afinal, quem é o mestre?
Afinal, quem é o mestre?

O filme faz jus às bizarrices cômicas do jogo, tendo como alivio cômico  assaltantes com reféns, porém sem ar-condicionado e um casal entediado que resolve cometer uma série de assaltos, e todas essas cenas aparentemente desconexas no fim acabam se encontrando. Mas é a trama principal, com o Ex-Yakuza Kazuma Kiryu procurando a mãe de uma garotinha enquanto é caçado pelo maluco de tapa-olho Goro Majima que realmente levam a história para a frente (e onde ocorrem as maiores porradarias).

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Se você conhece e gosta do trabalho do Miike, ou simplesmente gosta de filmes violentos que não se levam a sério, e não se incomoda com bizarrices nipônicas, Ryu Ga Gotoku:Gekijoban é um filme bem interessante (mesmo não estando entre os melhores filmes de Yakuza do diretor).

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Um carinha do barulho que vai arrumar altas confusões nesse site que é um estouro.

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