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A gente vimos: Velozes e Furiosos 7

Depois de um processo conturbado de conclusão do filme, marcado pela morte de Paul Walker antes que ele tivesse concluído suas cenas, Velozes e Furiosos 7 quase que não saiu, mas a seguradora do filme disponibilizou nada menos que 50 mijones de doletas e o diretor James Wan e o resto do elenco resolveram concluir as filmagens…

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Isso resultou numa total reformulação do filme, adequando a história ao fato trágico da morte de Walker ter impedido de realizarem a história como originalmente estava concebida.

Acho que isso já era curiosidade suficiente pra levar até mesmo os espectadores não fãs da franquia a darem uma espiada no filme, mas acredito que o elenco ainda mais bombado no massaveísmo, trazendo Jason Statham como o vilão, e outras caras conhecidas como Djimon Honsou, Tony Jaa, Kurt Russel e Ronda Rousey também foram um grande chamariz pro filme.

Depois disso, vi pipocarem na net vários reviews positivos sobre o filme, dizendo que esse era o melhor filme da franquia, e até Vin Diesel dizendo que Velozes e Furiosos 7 deveria concorrer ao OSCAR!!! Então, resolvi encarar a sessão cinematográfica e ver o 7º exemplar da franquia nos cinemas, com aquela renca de adolescentes típicos fãs dos filmes dos (ex)carros tunados.

Primeiramente falemos do diretor, James Wan vinha de uma carreira de sucesso recente no cinema de terror, seus filmes Invocação do Mal e Sobrenatural foram sucesso de crítica e público, e ele parecia que ia trilhar um promissor caminho se dedicando a esse gênero (ele inaugurou a franquia Jogos Mortais, dirigindo o primeiro filme e também produziu Anabelle), e tirando um filme obscuro (mas muito bom) com Kevin Bacon fazendo o papel de um pacato pai de família que vira um vingador assassino (Sentença de Morte) nada indicava que Wan seria um diretor de filmes de ação.

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Mas o China da Coréia segura as pontas, com cenas de ação pontuais, tiroteios, boas coreografias de lutas, enquadramentos mirabolantes, uso de paletas de cores diferenciadas e uma edição insana, Wan prova que é plenamente capaz de concorrer com qualquer outro diretor no quesito filmes de ação…

“Então quer dizer que o filme é realmente bom titio Hell???”

Bem, eu diria que Velozes e Furiosos 7 é muito bem dirigido, e que talvez seja o melhor da série, mas que é tão ruim quanto qualquer outro filme da franquia! AHEUAHEUAEHAEU, vejam bem, as cenas de ação são legais, exageradas ao extremo (daquelas de deixarem o cinema todo demonstrando sua descrença com expressões do tipo “AAAAFFF, Nooooooosssa, AH não!, PUTZ!!!) mas tem timming, não são aquelas cenas intermináveis e cansativas como Transformers ou dos filmes do Hobbit, e é só isso que o filme tem de bom pra apresentar.

Acho que o grande erro desse “recomeço” de Velozes e Furiosos, a partir do filme 4, com o retorno de Vin Diesel foi justamente não abraçar de vez o lado “galhofa” da franquia (como Mercenários, Machete e até Esquadrão Classe A fizeram), mas sim insistir uma aura de “seriedade” no filme, tentando trabalhar com drama e romance numa intensidade que não cabe na rasa história e muito menos nas incapacidades do elenco.

Vejam bem, ver os caras se zoando na montagem do plano de ação (mirabolantemente impossível) é legal, ver a interação entre eles nas cenas de ação é legal… mas ver Vin Diesel e Michelle Rodriguez travando um colóquio recheado de ternura, sofreguidão e drama é vergonhoso! E o filme peca em insistir nesse tipo de coisa várias vezes, talvez pra disfarçar a trama insípida, ou talvez pra tentar atrair as namoradas dos marmanjos que endeusam essa franquia (vi Diesel comentando numa entrevista que o filme tinha atrativos pras mulheres dessa vez, com muitas cenas de romance).

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A cena de abertura do filme, com Statham visitando seu irmão (que era o vilão do filme anterior) no hospital já deixa claro que Velozes e Furiosos 7 não é um filme pra ser levado a sério, mesmo sem mostrar nenhuma ação, a cena é uma das mais exageradas e caricatas do filme, mas esse cartão de visita se perde no decorrer do filme, que tenta passar uma imagem de filme “sério” na maioria das cenas de diálogo, mas que demonstra ser exagerado e caricato em cada cena de ação apresentada (e olha que são muitas), então acabamos tendo um filme “bipolar” diante de nós, ora pedindo pro espectador levar a sério o que está vendo e no momento seguinte pedindo que encare aquilo tudo como massaveísmo extremo

A história do filme é absurdamente inconsistente, tanto que até o personagem de Kurt Russel (essencial pro desenvolvimento do filme) deixa claro isso, quando propõe a “missão” pro grupo de Diesel que é o grande mote do filme… Ele sabe que o personagem de Statham está caçando Diesel e seu bando pro vingança (por terem ferrado o irmão dele no filme anterior), e propõe que Diesel roube um software e uma hacker que está sendo entregue a um traficante internacional de armas pra que eles consigam descobrir onde Statham está…

Só que o persoangem de Statham não está se escondendo, ele está justamente indo atrás de Diesel e seu bando!!! Diesel até chega a dizer algo como “mas pra que vou te ajudar a recuperar um item que me diria onde meu inimigo está se eu posso simplesmente esperá-lo vir atrás de mim e ferrar ele?”, e Russel responde algo como “Sei lá véio… achei que você ia querer um pouco de adrenalina.” aheuaehuauehaeuaheuae.

E o filme segue pelo mundo, mostrando Diesel e seu bando, primeiramente recuperando a Hacker das mãos dos inimigos (que rende a cena dos carros de para-quedas e o salto de Paul Walker do ônibus), depois viajam pelo pra Dubai tentando recuperar o tal software revolucionário capaz de identificar qualquer pessoa no mundo em minutos, (que rende a cena do carro atravessando não um mais DOIS prédios a uns 150m de altura)sempre com Jason Statham aparecendo no meio dos quiprocós pra tentar matar Diesel, num jogo de gato e rato.

Statham aliás é digno de nota, está no filme interpretando o mesmo personagem de sempre, o cara fodão, sempre preparado pra tudo e que não arrega nas porradarias… Tem cenas de luta com The Rock e com Vin Diesel, e acho que sua presença no filme deve ter agradado tanto que o diretor preferiu não matá-lo no final, sinalizando aí que seu personagem possa retornar à franquia futuramente como o personagem do The Rock.

Paul Walker ficou com Tony Jaa como antagonista imediato, tendo duas cenas de luta com o expert em Muay Thai em momentos diferentes do filme… Mas os fãs do ator/lutador tailandês podem acabar decepcionados, o papel dele no filme é bem pequeno…

Outra que aparece só pra tomar umas porradas (e dar umas também) é Ronda Rousey, que também tem uma ceninha de luta com Michelle Rodriguez, e praticamente entra muda e sai calada… o que pode ser algo bom, dada a péssima desenvoltura da atriz/lutadora/gostosa em Mercenários 3, onde era incapaz de falar um diálogo sem soar como uma criança de 7 anos que decorou suas falas pro teatrinho da escola, HAEUAHEUAEHAUEHAEUAHE.

Velozes e Furiosos 7, assim como o 6, o 5 e o 4 acaba valendo a pena pelas cenas de ação absurdas, marcadas pelo total desrespeito as leis da física e pela compleição físico/biológica indestrutível dos seus personagens

No final, uma homenagem a Paul Walker (que é mostrado digitalmente de forma bem clara em alguns momentos do filme) deve deixar os mais sensíveis emocionados, e apesar de não ter nenhuma menção clara a sua “aposentadoria” no filme como disseram que teria, temos ali uma boa despedida do seu personagem da série… Série aliás que, depois de arrecadar quase 150 mijones de doletas só no seu fim de semana de estréia, deve continuar avançando veloz e furiosa por mais alguns filmes ainda.

Nota: 6

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O Hell, este que vos fala.

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