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A Gente Vimos: Lucifer (sem spoilers)

De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo.
– Barão de Itararé

Como os mais pirateiros dentre vocês devem saber, vazaram os pilotos de várias séries novas nos últimos dias (algo que, aliás, é bem corriqueiro). Dentre os episódios vazados estavam dois de maior interesse aos nerds: o piloto do seriado de Minority Report e o piloto da série baseada na HQ da Vertigo, Lúcifre.

Como eu não gosto de coisas boas acontecendo na minha vida, óbvio que escolhi para assistir o que patentemente era o mais escroto, e vim através destas mal traçadas linhas (copyright Destino de Miguel) contar o que achei.

O que?

Lucifer conta a história do Estrela da Manhã depois de desistir do inferno e viver na terra, sendo o dono de uma boate e aproveitando os pequenos prazeres da vida. Diferentemente da HQ do Mike Carey, por alguma razão misteriosa aparentemente este seriado será um procedural, ou seja, um seriado em que cada episódio será a solução de um crime. Isto será feito principalmente através da iteração do Cramunhão com a policial Chloe Dancer, com quem o Adversário se apega após perceber que seus charmes não funcionam com ela.

Como?

Para fazer esta adaptação, a Fox resolver tomar uma quantidade alta de liberdades com o conceito original. Por um lado, um pouco do personagem está lá, como o fato dele nunca mentir e dar muito valor a própria palavra, sem nunca mentir (mesmo sendo o “Pai das Mentiras“). Contudo, resolveram dar uma personalidade completamente diferente para o Mefistófeles, com ele sendo muito mais um Bon Vivant que quer aproveitar ao máximo a vida, como aquele seu amigo que se casou com a namoradinha do segundo grau, se separou recentemente e agora resolveu voltar para night e tentar comer todas as menininhas.

Conceito Original do Personagem.
Conceito do Personagem na série.

Fora isto, tentaram mostrar levemente como os poderes do Belzebu funcionam neste mundo, mostrando repetidamente, com direito a explicações repetidas, que ele tem o poder de mostrar os desejos mais secretos das pessoas, de forma similar ao que acontece naquele filme Horns, com o Harry Potter (que, por sinal, é um filme bem OK).

Tipo isso, só que ainda pior.
Este seriado é tipo isso, só que pior.

Uma preocupação aparente neste episódio foi tentar mostrar que o Ardiloso não é flor que se cheire, e que ele é mal como um pica-pau. Contudo, tinham que mostrar ele fazendo as coisas mais maléficas possíveis neste cenário restrito que é o PG-13, então mostraram ele, na ordem: Subornar um policial, interromper um casamento, e ameaçar alguém.

Como ele é mal.
Como ele é mal.

Outro fator que aproveitaram da história original foi a treta entre o Inimigo e o anjo Amenadiel, que foram o ponto “alto” do episódio (algo tipo 90 cm). Escolheram para o anjo um cara que mostrava bem todo o ódio que ele sente pelo Adversário, e me fez pensar que se resolvessem focar nestes aspectos poderíamos ter algo interessante.

Por que?

Essa é a grande dúvida que tenho toda vez que penso sobre este episódio piloto.

O principal problema desse seriado foi cagarem completamente a personalidade do Sete-Peles. Enquanto nas HQs ele parecia uma figura calma e assustadora, que estava sempre no comando da situação, no seriado ele é um babaca sorridente paunocú, fazendo as coisas de qualquer jeito para se divertir. Parece aquele tipo de pessoa que lê coisas tipo “O Segredo” ou manuais de Pick Up e acha que se você sorrir sempre e tratar as pessoas com desprezo se consegue tudo na vida.

A meia noite levarei a sua alma. Ou não.
A meia noite levarei a sua alma. Ou não. Foda-se, não ligo pra você.

Além disto, o fato de ser um procedural é mais um fator altamente broxante. Ao invés de aproveitar aspectos interessantíssimos, como pactos, desejos e seus efeitos nefastos nas pessoas (como, por exemplo, naquele mangá/anime de menininha (que eu gosto) XXXHolic), ao invés disto teremos o Capeta sorridente resolvendo crimes apenas para tentar comer uma mulher. Aliás, pra não dizer que foi tudo ruim, o casting da policial Chloe Dancer, Lauren German, foi uma boa escolha.

Única razão que consigo pensar em por que alguém pegaria um conceito tão redondo e tão pronto para TV e cagar tudo é que a idéia original seria fazer algo mais fiel ao quadrinho, até chegar um produtor se achando o Midas e, sem nem ao menos tentar ler o material fonte chegar e falar “Sabe o que seria foda? Se esse seriado fosse tipo Bones, só que com o Doutor House no lugar daquele Angel lá”. E foi isso que fizeram.

Resumindo, se você está esperando algo ao menos próximo que eram as HQs do Mike Carey, pode ir tirando o cavalinho da chuva que você vai achar Lucifer uma bosta completa. Agora, se você espera algo que seja mais próximo do mínimo denominador comum dentre os procedurais, algo como um Bones feito de qualquer jeito querendo dar uma House, pode ser que você encontre alguma coisa de valor nesse seriado.

Eu, pelo menos, não achei.

Nota: 7,5

Sobre Maximus

Um carinha do barulho que vai arrumar altas confusões nesse site que é um estouro.

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