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A gente jogamos: Darkest Dungeon

Em Darkest Dungeon, você pode dar nome aos seus saves. O jogo sugere que você comece cada um deles com a palavra Darkest, e decidi entrar na brincadeira. O primeiro se chamou Darkest Dungeon (como sou criativo). Tomei no cu com areia no jogo e decidi recomeçar. Nomeei o próximo save de Darkest Knight. Me fudi de novo. O.K, vamos pra Darkest This Is Hard. Darkest End. Darkest Last Time. Darkest Fuck That Fuck. Então fui com minha última tentativa:

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E, nessa derradeira chance, o jogo clicou. Consegui entender as engrenagens por trás dos personagens e das mecânicas e um jogo que só me dava estresse deu a volta, queridinha.

E, sinceramente, acho que isso resume completamente a experiência de Darkest Dungeon.

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Sobre o que se trata Darkest Dungeon, da empresa Red Hook? Bem, você controla quatro aventureiros em dungeons geradas randomicamente, tentando explorar o máximo possível sem morrer, porque se alguém bater as botas, vai ficar assim pra sempre. Para isso, você se prepara em sua cidade, comprando suprimentos (extremamente importantes, diga-se de passagem), treinando e contratando personagens, e, principalmente lidando com o estresse deles. Esse é o diferencial de Darkest Dungeon. Toda ação nociva ao seu personagem acaba causando um dano de estresse mental, que pode chegar a um nível de provocar desvios psicológicos e até mesmo parada cardíaca. Ficou puto? Seu personagem também está puto. Bem-vindo à Darkest Dungeon.

Vamos nos aprofundar um pouco nessa mecânica. Conforme seu personagem explora as dungeons, ele vai se afetando mentalmente em pequenas doses. Caso ele decida explorar alguma coisa e algo dá errado, ele fica estressado. Tomou um dano crítico? É melhor pegar o Tilenol. Existem até inimigos que dão apenas dano mental, fazendo com que você lide com duas barras de energia diferentes. Para recuperar, existe o bar (com, literalmente, bebida, cassinos e prostitutas) e a igreja (com penitência, orações e meditações). Esses estabelecimentos, assim como outros como o hospital e o prédio da guilda, podem ser melhorados com dinheiro e outros itens que você encontra em suas jornadas.

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Parece complexo? Sim, é, e o jogo não faz questão nenhuma de te ensinar, o que me leva ao primeiro problema com DD: ele está pouco se fudendo se você aprendeu ou não a jogar. Todos os personagens tem dezenas de atributos, questões psicológicas e golpes com diversos efeitos, e é bom você aprender a masterizar tudo isso se quiser sobreviver. Por trás de um visual que me remete bastante à Hellboy, existe um jogo pouquíssimo acessível que te obrigará a recomeçar várias vezes até aprender como a banda toca. É a luz do calabouço que você precisa cuidar com as tochas, doenças, personagens virando masoquistas no meio da porra da luta, tudo isso e muito mais.

Parece difícil? Sim, pra caralho. É quase um Dark Souls dos jogos de RPG, no sentido em que você às vezes tem que aprender a tirar o melhor de uma situação ruim ao invés de vencer. O próprio jogo te diz isso no início. São casos de ter que abandonar quests no meio para que alguém reste vivo para contar a história. Outra semelhança com Souls é que cada luta pode fuder completamente seu esquema. O problema é que, no caso da outra franquia, a maior parte da culpa cai em sua habilidade. Aqui, você tem a sorte. Cada ataque tem chances de acertar e dar crítico, e você vai ter azar diversas vezes. O que me leva a real dúvida se sou um masoquista por curtir jogos assim.

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PARECE ESTRESSANTE? Olha, eu já esmurrei minha mesa várias vezes jogando essa merda, literalmente. São tantas coisas que você tem que prestar atenção e calcular, lista de compras antes das missões, trinta caras ficando estressadinhos ao mesmo tempo, nego se apaixonando no puteiro e não querendo ir pra outro lugar, vagabundo que sai numa noite de bebedeira e não volta pra próxima missão, pessoas que não querem estar no mesmo grupo que outras por diferença religiosa… (acredite, tudo é real). E, o pior de tudo, é a sorte. Tem vezes que você não fez nada de errado, e mesmo assim o jogo vai te sacanear. Tipo ganhar sifílis porque colocou o cara na taverna pra se desestressar.

De verdade.

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Isso significa que é uma merda? De jeito nenhum. Porque vai ter aquela hora que o jogo clica. Quando todas as derrotas se empilham num montinho chamado de “aprendizado”, e você fica melhor, é a sensação maravilhosa que as pessoas buscam ao jogar coisas no estilo Dark Souls. É vencer os desafios, é ficar melhor, é agarrar o jogo pelo pescoço, parar perto do precipício e gritar QUEM É QUE MANDA NESSA PORRA, SEU FELADAPUTA? E invariavelmente esse excesso de confiança vai te morder na bunda, mas há um motivo para toda a dificuldade, o motivo de eu ter gasto cinco parágrafos falando das partes difíceis. É intrínseco à experiência. O jogo é sobre subir o Everest logo de cara e depois ficar se equilibrando no Himalaia.

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Por fim, Darkest Dungeons é isso. Um jogo difícil, complicado, inacessível, com dezenas de variáveis para levar em consideração, mas que se torna uma puta experiência quando se aprende a jogar. Para quem está com curiosidade, ele está custando apenas 40 reais no Steam, e deve rodar em qualquer PC meia-boca.

NOTA: 8/10.

Sobre Lojinha

Apenas um evangelizador de One Punch-Man, Gintama, Undertale, Community e Cave Story.

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