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A Gente Vimos: 3%

marromeno
Estou impressionado com a avalanche de críticas negativas à primeira série nacional que o netflix exibiu simultaneamente no Brasil e em 60 países. A produção tem problemas, assim como 24 Horas, todas as séries do Sci-Fi e muitas outras, que não recebem o mesmo grau de exigência.

Se você não conhece a história, segue a sinopse:

O mundo como você conhece está em ruínas. Mas existe a chance de viver em uma sociedade dita perfeita. A notícia ruim: só 3% das pessoas conseguirão. A notícia boa: o processo de seleção já tem data para começar.

3% tem uma premissa que no Brasil se divide entre os que acham ridícula e os que sonham em ver mais coisas de ficção científica por aqui. Com uma historia ambientada em um mundo pós-apocalíptico, gênero fartamente explorado em outros países, ficaria mais difícil ainda acreditar que aqui no Brasil, onde temos pouquíssima tradição nesse tipo de história, teria algo pra se contar. A produção chega lá, apesar de seus erros.

marromeno
O roteiro de 3% possui boas viradas e uma história consistente em sua maior parte. Mesmo com uma virada brusca em seus últimos capítulos, o gancho para uma continuação e o destino dos personagens é instigante. Cada personagem é apresentado individualmente com o desenrolar da trama, ficando só a dúvida do que há mais para contar sobre cada um. Como primeira temporada estes personagens funcionam muito bem.

A direção cumpre o desafio de produzir uma história do tipo , mas com dificuldades em cenas de ação. Especialmente a batalha que envolve o episódio “Portão”.

Já a cenografia é limitada e sem espaço para criatividade, mas funcional para uma história nesse nível. Vi coisas bem mais humildes em seriados de sucesso como Twilight Zone ou Stargate, mas que funcionariam na TV ou web dos dias de hoje. Os efeitos especiais seguem o mesmo caminho, me lembrando um pouco outra produção nacional, que foi sucesso de bilheteria nos cinemas: Nosso Lar.

Apesar de muita gente falar da direção de atores, não acredito que o problema aí esteja na direção. Gostei de todos os protagonistas em especial Bianca Comparato (Michele), João Miguel (Ezequiel) e Rodolfo Valente (Rafael). Rafael Lozano está ótimo como Marco Alvarez assim como Vaneza Oliveira na pele de Joana, causando a sensação de que talvez seus personagens merecessem um pouco mais de tempo em cena.

Daqui para frente, HABEMUS SPOILERS, ok?

Pessoal, tem spoilers depois dessa foto!
O maior problema está no personagem de Michel Gomes (Fernando). Basicamente, é inverossímil que qualquer cadeirante hesite em uma oportunidade de voltar a andar. A atuação de Gomes acaba vacilante e pouco convincente, mas não pelo ator. É uma ideia pra lá de difícil de passar em qualquer atuação. Se existe alguma chance disso ser possível, o roteiro falha em tornar isto algo que o espectador possa acreditar.

Com todos os erros, 3% é um bom exemplo do que produções nacionais podem fazer. Não merece nenhum carinho a mais por ser brasileira, mas um julgamento igual ao que fazemos com trabalhos que possuem a mesma dose de erros com gente falando em inglês.

Nota: 7,5

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